A resistência antimicrobiana (RAM) tornou-se uma das questões de saúde mais urgentes de nosso tempo. Há sinais positivos de que a resistência pode ser revertida com o uso reduzido de antibióticos.
De muitas maneiras, a resistência antimicrobiana é inevitável. Animais doentes precisam ser tratados para garantir seu bem-estar e a segurança alimentar. Com o tempo, os patógenos podem evoluir para superar os medicamentos desenvolvidos para eliminá-los. Especialistas concordam que o uso excessivo de antimicrobianos acelera esse processo.
A Organização Mundial da Saúde Animal (WOAH) identifica dois principais fatores que causam a resistência: a tendência natural dos microrganismos de se adaptarem e sobreviverem, e práticas inadequadas de manejo animal. Animais que vivem em ambientes estressantes ou com condições de higiene precárias são mais suscetíveis a doenças, levando a um maior uso de antibióticos. Assim, seguir boas práticas de manejo animal com foco na prevenção de doenças e usar antimicrobianos de forma responsável é essencial.
Menos uso de antibióticos
Animais saudáveis precisam de pouco ou nenhum tratamento. Contudo, reduzir o número de tratamentos antibióticos em um rebanho ou grupo não reduz automaticamente os microrganismos resistentes já existentes — isso leva tempo.
Isso pode ser observado no plano intensivo de monitoramento da RAM implementado desde 1998 na Holanda. Ele acompanhou a abolição dos antibióticos misturados à ração e a forte redução do uso de antibióticos curativos desde então. Em 2022, um total de 112 toneladas de Produtos Veterinários Antimicrobianos (AVMPs) foram vendidas, representando uma queda de 22,9% em comparação com 2021. Entre 2009 e 2022, houve uma redução de 77,5% nas vendas, sendo 2009 o ano de referência do governo holandês.
O uso de antibióticos de importância crítica para a saúde humana (especialmente cefalosporinas de 3ª e 4ª geração) é baixo, mesmo em setores que não são monitorados quanto ao uso. As vendas de polimixinas caíram em 2022, com uma redução geral de 82,6% desde 2011. Em relação às fluoroquinolonas, 52% ainda são aplicadas em setores não monitorados, mas observa-se uma redução geral de 93,1% desde 2011.
Menos resistência
Pesquisadores do Wageningen Bioveterinary Research analisaram fezes em busca de bactérias específicas e mecanismos de resistência. Para obter uma visão mais clara da tendência, o WUR realiza os mesmos testes todos os anos, com os mesmos tipos de bactérias.
"Uma tendência ficou clara desde o início", segundo Kees Veldman, chefe do laboratório de resistência a antibióticos em animais. Assim que a pecuária começou a usar menos antibióticos, houve uma diminuição na resistência antimicrobiana. "Em 2014, 66% da carne de frango continha bactérias resistentes a todas as penicilinas. Agora esse número está pouco abaixo de 18%", acrescenta Veldman.
O laboratório também analisa especificamente a bactéria E. coli. Há 10 anos, quase 8 em cada 10 bactérias E. coli em frangos eram insensíveis à ampicilina. Em 2019, esse número foi reduzido pela metade.
Em bovinos leiteiros, o uso de antibióticos foi reduzido a quase zero. A tendência de queda na resistência antimicrobiana em animais se estabilizou para a maioria dos antibióticos. Com um nível mais baixo de microrganismos resistentes, os antibióticos permanecem disponíveis e eficazes para o tratamento essencial de doenças em animais e humanos.
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Referências bibliográficas
As informações são do Dairy Global, traduzidas pela equipe MilkPoint.