Contando com o apoio da maioria dos produtores e indústrias de leite, foram reiniciadas no Chile as atividades da Promolac (Promotora de Produtos Lácteos). Os esforços, que começaram no dia 1 de dezembro, permitiram o desenvolvimento de uma estratégia de comunicação a longo prazo, que começará em março e que promoverá o consumo de leite a nível nacional.
A sociedade, formada pelas indústrias lácteas e pelos produtores de leite do Chile, pretende dar um impulso nesse setor, que anda meio em baixa no país. Espera-se que a maioria dos produrores contribuam com essa iniciativa, devido ao fato de que o apoio das indústrias e do Governo chileno será equivalente ao apoio dos produtores, que deverão fornecer 30 centavos de pesos chilenos por litro de leite entregue (1 peso chileno equivale a US$0,001746, sendo essa quantia equivalente a US$0,05/100 litros).
A iniciativa espera elevar o consumo per capita de leite em 10%, num prazo de 2 anos, ou seja, de 127 litros por pessoa, hoje, para 140 litros.
Uma pesquisa realizada no ano passado pelo Time Research sobre alimentos aos consumidores, identificou o leite com um dos alimentos mais necessários e o segundo em importância, depois das verduras. Porém, o consumo de leite no Chile mostrou-se inferior ao mínimo aconselhado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), além de abaixo dos valores consumidos em outros países da região. A OMS considera, para países do nível de desenvolvimento chileno, um consumo mínimo de 160 litros por pessoa por ano.
O gerente da Promolac, José Manuel Concha, explicou que a tarefa é difícil, uma vez que supõe-se uma modificação de hábitos. Pretende-se criar no país a idéia de que o leite não é somente necessário, mas também pode ser benéfico para o desenvolvimento físico e mental das pessoas.
Conflito vigente
Os produtores de Osorno, agrupados na Aproleche, resolveram ficar de fora da Promolac, por diversas razões derivadas dos graves problemas que afetam a região. Além disso, consideram que a iniciativa age contra a produção nacional.
Os membros da Promolac lamentam o fato de a Aproleche Osorno não apoiar essa iniciativa, e continuam convidando a organização para participar. O gerente da Promolac afirmou que essa iniciativa é muito positiva ao país, e que espera que Osorno resolva participar também. Segundo ele, os problemas estabelecidos por eles são temas pendentes na Mesa Agrícola, e é aí que deverão ser solucionados. "Nós estamos com as portas abertas", afirmou o gerente.
As razões da Aproleche de Osorno para ficar de fora da Promolac têm sua origem na crise que se arrasta há algum tempo entre os produtores dessa região. A direção da Aproleche acusa problemas estruturais na Promolac. "Essa associação pertence a algumas instituições que não são basicamente de produtores", disse Fernando Becker, presidente da Aproleche de Osorno.
A principal crítica da Aproleche é que eles consideram que a promoção do leite sugerida pela Promolac, que deve contar com o apoio financeiro dos produtores chilenos, na prática, beneficia a produtos importados. "Nas condições que está esse projeto, nosso apoio financeiro significa promover queijos da Nova Zelândia e produtos mal rotulados", explicou Becker. A idéia da Aproleche Osorno é colocar um selo que identifique os produtos com autenticidade de envasamento na origem e estão fazendo isso, segundo Becker, sem a ajuda da Promolac.
A X Região é responsável por 70% da produção de leite no Chile, e Osorno, por 30%. Becker afirmou que a aspiração da Aproleche é a de dar um impulso nessa região e levantar um setor que está com o risco de desaparecer.
Os membros da Promolac por sua vez, afirmam que os problemas que os produtores de Osorno estão levantando são alheios à iniciativa de promoção do leite. "Nós não podemos solucionar esses problemas, que são externos, como por exemplo, as salvaguardas para o queijo". Becker, entretanto, afirmou que promover produtos lácteos sem salvaguardas para o queijo significa promover produtos estrangeiros.
As salvaguardas para o leite em pó estão em prática no Chile desde maio do ano passado, e os produtores da X Região esperam um pronunciamento da Comissão de Distorções com relação à importação de queijos. Segundo dados da Aproleche, as importações de queijos quase se duplicaram entre 1999 e 2000, passando de 3 para 5 mil toneladas. "Ficamos assustados em ver como o tempo passa e as queijarias regionais vão quebrando. Vamos completar um ano e não houve nenhum pronunciamento da Comissão com relação a essas importações", disse Fernando Becker.
José Manuel Concha, da Promolac, afirmou que o programa não pretende fazer somente a promoção do leite, mas sim fazer um trabalho junto aos consumidores valorizando o produto nacional. "Temos que destacar que nossos produtos têm algumas vantagens com relação aos importados; é conhecida a sua origem, é fresco, a indústria tem tecnologia de ponta e qualidade", afirmou.
fonte: El Mercurio, por Equipe MilkPoint
Renasce programa de promoção do leite no Chile
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