A Federação Nacional dos Produtores de Leite dos EUA (National Milk Producers Federation - NMPF), divulgou recentemente um relatório sobre o impacto das importações de proteínas do leite, particularmente de proteína concentrada do leite (MPC) pelo país, na indústria de lácteos. Segundo a NMPF, os líderes das indústrias e do governo terão que trabalhar juntos para encontrar soluções para esse setor.
O relatório mostrou que as importações de MPC pelo país aumentaram em mais de 600% desde 1995. No ano 2000, a estimativa da NMPF foi de que as importações de MPC e de caseína (proteína láctea relacionada) foram equivalentes a cerca de 433,2 a 498,94 milhões de quilos.
"Esse aumento nas importações de proteínas do leite causou um grande impacto no mercado nacional de leite desidratado desnatado, utilizado para vários fins, entre eles, a fabricação de queijos", disse Jerry Kozak, chefe executivo da NMPF. "Essas importações estão criando um fornecimento artificial de proteínas de leite no país, que custa ao governo um dinheiro extra, oferecido na forma de programas de apoio aos gastos. Esse é um assunto que afeta tanto os produtores de leite como àqueles que pagam impostos".
O relatório da NMPF contém várias outras informações, como, por exemplo, como e onde a MPC é produzida, e como os EUA as classificam quando importadas. O relatório também recomenda que sejam tomadas várias ações que regulamentem essas importações, a fim de minimizar os prejuízos dessas importações para os produtores de leite norte-americanos.
A proteína concentrada do leite (MPC) é produto da tecnologia conhecida como ultrafiltração. Durante o processo de ultrafiltração, o leite desnatado passa através de uma membrana, designada para separar a água, da lactose e do restante dos sólidos, levando junto um produto que consiste basicamente de proteínas ("retentate"). Esse produto é subseqüentemente desidratado, para ser distribuído ou estocado.
Embora a verdadeira MPC seja produzida pela ultrafiltração, algumas nações que exportam esse produto estão empregando outros métodos para criar diferentes produtos, que são classificados como MPC, incluindo misturas de proteínas previamente processadas do leite, como caseína, soro de leite e leite desidratado desnatado. O NMPF acredita que essas proteínas misturadas estão sendo vendidas como MPC, passando isentas da regulamentação que restringe a importação de leite desidratado desnatado pelos EUA.
"Nosso relatório tem a intenção de educar os políticos e os membros das indústrias, para que fiquem atentos às conseqüências das importações de caseína e proteína concentrada de leite", disse Kozak. "Nós estamos também oferecendo três propostas de ações que deverão ser tomadas em curto prazo, para nos ajudar a retificar os problemas existentes no sistema atual de importação de MPC".
A primeira medida sugerida pela NMPF é um mandato do Congresso para que os produtos de proteína concentrada do leite e caseína sejam reclassificados sob a Tabela de Tarifas dos EUA. Essa reclassificação, determinando uma tarifa de importação, resolveria o problema das proteínas que entram no país como MPC, mas que na realidade são outros produtos e passam isentos pelos estatutos comerciais norte-americanos.
A segunda medida é que o Congresso solicite à Comissão de Comércio Internacional dos EUA que faça uma investigação sobre a situação das importações de MPC. Os resultados dessa investigação poderiam ajudar os produtores de leite na tomada de outras providências contra essa situação.
A última medida solicitada pela NMPF, no relatório, é que seja revista a natureza dos produtos classificados como "proteína concentrada do leite" importados pelos EUA. Se esse produto não for de fato derivado do processo de ultrafiltração, deverá ser reclassificado sob regulamentação norte-americana, e estará sujeito às mesmas tarifas de importação aplicadas em produtos lácteos desidratados desnatados.
fonte: National Milk Producers Federation (NMPF), por Equipe MilkPoint
Relatório mostra impacto da importação de proteína do leite nos EUA
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