Inovação e sabor: o sucesso dos queijos brasileiros

O Brasil tem se destacado no cenário global com queijos artesanais de sabores inusitados, conquistando prêmios e agradando os consumidores. Confira!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Em um segmento de muitas tradições, produtores novatos têm conquistado espaço com receitas singulares. Em Toledo (PR), por exemplo, Kennidy Bortoli, pesquisador do parque tecnológico Biopark, criou em laboratório o Passionata, eleito o melhor queijo da América Latina e o nono melhor do mundo no concurso World Cheese Awards (WCA) de 2024.

Eu queria que ele fosse uma confusão na cabeça de quem estivesse comendo. No começo você sente um gosto de queijo equilibrado, de textura cremosa. O gosto do maracujá vem na hora de engolir o queijo. O sabor explode na sua boca”, afirma Bortoli, pesquisador do Laboratório de Queijos Finos do Biopark e responsável pelo desenvolvimento da iguaria.

A receita do Passionata leva infusão de maracujá, que é encapsulada com uma tecnologia que libera o sabor quando o queijo se aquece ao passar pela garganta. 

A produção do Passionata fica a cargo da Queijaria Flor da Terra, do Biopark. A produção é de dois lotes por semana, de 30 peças cada. “Nosso limitante é a maturação, que exige tempo e espaço”, conta Ana Luiza Donaduzzi, gerente comercial e de marketing do Biopark. A Flor da Terra produz nove tipos de queijos.

 

Queijo e ervas

Em Queluz, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo, a Queijaria Santa Vitória nasceu em 2022 para abastecer o hotel-fazenda de mesmo nome e depois ganhou vida própria com criações como queijos maturados na cerveja ou envoltos em flores. Um desses queijos é o Alecrim, que em 2023 recebeu a medalha de ouro no Mondial du Fromage.

Continua depois da publicidade

O Alecrim nasceu da vontade de capturarmos o frescor das ervas da fazenda em um queijo. A ideia veio a partir de caminhadas pelo campo”, diz Carlos José de Melo Cunha, sócio da Santa Vitória.

O produto final surgiu após meses de testes com infusões, lavagens e maturações. O Alecrim é um queijo de casca com ervas, de massa firma e fragrância herbal, feito com leite, coalho, fermento e sal. “A família optou por agregar valor ao leite e expressar, com o queijo, a riqueza do território”, afirma Cunha.

 

Inspiração vinda do exterior 

Também autora de uma receita singular, a médica veterinária Carolina Vilhena Bittencourt diz ter encontrado sua inspiração em uma viagem pela Itália. “Vi um italiano filando [ato de sovar a massa para deixar o queijo com textura alongada] uma muçarela e decidi que era o que eu queria fazer”, conta ela, dona da Queijaria Belafazenda, de Bofete (SP). Sem queijeiros na família, Carolina fez cursos nos Estados Unidos, no Canadá, na França e Inglaterra e abriu sua queijaria em 2018.

Inspirado no Stilton, o Azul Britannia é um queijo de massa untuosa com mofo azul, maturado por 15 dias. Após essa etapa, é envolvido em bandagem de algodão e banha suína, maturando por mais 60 dias em ambiente controlado. Com produção de 50 kg/dia, o queijo conquistou ouro no World Cheese Awards 2023 e super ouro no Mundial do Queijo do Brasil 2024. Outro queijo premiado da produtora, o Soberano, recebeu super ouro no WCA 2024.

 

Grandes produções 

Um ano antes, o super ouro da premiação internacional saiu para o Morro Azul, da marca Queijos Vermont, que pertence à Pomerode Alimentos. A queijaria, de Pomerode (SC), nasceu em 2013 por iniciativa dos irmãos Juliano e Bruno Mendes, também fundadores da cervejaria Eisenbahn, de Blumenau (SC). O grupo paulista Schin comprou a empresa em 2008, e hoje a Eisenbahn faz parte da holandesa Heineken.

Os irmãos ingressaram no ramo com a produção de queijos de tipo europeu, como brie e camembert. “A gente percebeu que o consumidor começou a se interessar mais por queijos brasileiros feitos com receitas únicas, regionais”, relata Juliano.

O primeiro queijo autoral foi o Morro Azul, de mofo branco, com cremosidade muito alta, que é envolvido em uma cinta de carvalho para que a estrutura da peça se mantenha. Ele é maturado por 20 dias, tem sabor amanteigado e um aroma que lembra cogumelos. A queijaria produz 8 toneladas de produtos por mês. Há outros queijos no portfólio, como o Vale do Testo e o Brebis de Pomerode, ambos medalha de prata no WCA.

 

Premiações internacionais

Anderson Aguiar, sommelier e especialista em queijos do Grupo Pão de Açúcar, destaca que as premiações internacionais elevaram o status do queijo artesanal brasileiro. "Nos últimos dez anos, a cadeia produtiva tem passado por transformações e melhorias constantes. Nosso terroir é único, mesmo que as fazendas estejam próximas umas das outras", explica ele.

As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint

 

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?