RS: Queijos autorais ganham destaque entre pequenos produtores

A elaboração de queijos autorais tem sido uma nova tendência que tem se manifestado neste setor, com pequenos produtores investindo. Saiba mais!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Com uma das maiores bacias leiteiras do Brasil, responsável pela produção de mais de 4,1 bilhão de litros anuais, o Rio Grande do Sul mantém uma grande tradição de pequenos laticínios.

Mas, uma nova tendência tem se manifestado neste setor, com pequenos produtores investindo na elaboração de queijos autorais - produtos criados por queijeiros que experimentam e desenvolvem novas receitas, buscando refletir ideias próprias. Alguns desses empreendedores estão participando do Pavilhão da Agricultura Familiar na 25ª Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS).

“O queijo autoral consiste em expressar o que você sente em forma de alimento”, explica o produtor Laércio Carlos Lerin, proprietário do Sítio Esperança, de Barão de Cotegipe (RS). Sua esposa, Sandra Piovesan, é quem desenvolve as receitas.

Continua depois da publicidade

“Você pensa o que quer daquele queijo, planeja as características, qual será o fermento, tempo de maturação e começa trabalho de produzir como uma experiência. Nunca se acerta de primeira, vamos melhorando com o tempo, ajustando a produção até chegar em um padrão que tenha boa aceitação pelo público”, diz.

Figura 1
Laércio Carlos Lerin, proprietário do Sítio Esperança, de Barão de Cotegipe (RS) — Foto: Marcelo Beledeli/Globo Rural.
 

A queijaria, que surgiu em 2022, fabrica 300 quilos de queijo por mês, todo ele feito com leite produzido na propriedade de 12 hectares. Entre os produtos especiais que estão sendo oferecidos pelo Sítio Esperança na Expodireto Cotrijal está o Bendito, queijo autoral maturado com cachaça que foi premiado no 3º Mundial de Queijo do Brasil, realizado em São Paulo em 2024.

Outros itens bastante apreciados pelo público são o Maragato, queijo produzido com azeite de oliva gaúcho e urucum, e o Flor da Estância, marmorizado com vinho.

“Pretendemos também começar a produzir um queijo com cerveja artesanal do nosso município”, conta Lerin.

Figura 2Carla Spolaor (e) e Allana Pauleski (d), proprietárias da Palouse Queijaria Artesanal, de Jaguari (RS) — Foto: Marcelo Beledeli/Globo Rural.
 

Participando pela primeira vez da feira em Não-Me-Toque, a Palouse Queijaria Artesanal, de Jaguari (RS), foi criada em maio de 2024 pelas produtoras Allana Pauleski e Carla Spolaor. “A ideia veio de um curso para bovinocultura de leite, onde tivemos acesso a aulas sobre queijos voltadas para esse tipo de produção. Fizemos um curso em Goiás que nos ensinou a massa filada”, relata Allana.

Continua depois da publicidade

O queijo de massa filada é um feito a partir de coalho trabalhado em soro quente, sendo dobrado e esticado até atingir a consistência desejada. A massa fica elástica e fibrosa, o que permite que o queijo derreta e estique bem.

A Palouse fabrica em torno de 20 a 30 quilos de queijo por dia. Um dos lançamentos que tem atraído o interesse do público é o queijo colonial maturado com café, uma ideia inspirada em produtos de Minas Gerais.

Resgatar tradições queijeiras impulsiona o investimento da Agroindústria Camponês, de Joia (RS), em fabricar os produtos autorais. “O mercado que temos hoje é muito industrial e, ao decorrer dos anos, estão se perdendo receitas tradicionais e individuais das famílias queijeiras, acabando com a identidade camponesa desse produto”, observa Edemir Valsoler, proprietário da queijaria.

Figura 3Edemir Valsoler, proprietário da Agroindústria Camponês, de Joia (RS) — Foto: Marcelo Beledeli/Globo Rural

Os queijos da Camponês são desenvolvidos por Igor Valsoler, filho de Edemir. “Ele conheceu uma francesa que estava fazendo queijos autorais em Paulo Lopes (SC), e em uma viagem para a Argentina também viu uma experiência nesse sentido. A partir disso, nos incentivou a investir nessa produção diferenciada, fazendo nossas receitas, com nossas identidades”, destaca o produtor.

Tudo começou com uma receita familiar. “Minha mãe fazia queijo artesanal desde menina, e recuperamos a receita antiga dela, que usamos em nosso queijo Vó Maria”, diz o produtor. Os queijos produzidos pela Camponês já ganharam concursos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Entre os destaques da agroindústria, está o Campos Pesto, que como o nome indica, leva molho pesto na receita.


As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.

QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?