Entre tradição, polêmica e curiosidade gastronômica, um queijo italiano chama atenção pela presença de um ingrediente incomum na composição e, consequentemente, pelos riscos que pode oferecer à saúde de quem o consome. Trata-se do Casu Marzu, iguaria típica da Sardenha cuja comercialização é proibida em diversos países, inclusive na Itália.
Feito com leite de ovelha, o diferencial do produto começa quando moscas da espécie Piophila casei depositam ovos no queijo. As larvas que nascem aceleram a fermentação e transformam a parte interna em uma massa cremosa com sabor forte, picante e aromático.
De acordo com a Enciclopédia Britânica, as larvas têm cerca de oito milímetros de comprimento e precisam estar vivas no momento do consumo. Caso contrário, o queijo é considerado impróprio e deve ser descartado.
“Na primavera, são feitos alguns cortes na casca para a inserção das larvas. Elas crescem dentro da massa para estimular um nível avançado de fermentação, o que a maioria das pessoas descreveria como decomposição. Alguns preferem remover as larvas antes de comer, enquanto outras as devoram”, descreve a publicação.
Foto: Shardan/Wikimedia Commons
Proibido até na Itália
Por causa das normas sanitárias da União Europeia, que permitem apenas a comercialização de alimentos considerados seguros para consumo humano, o Casu Marzu foi proibido para venda em diversos países, inclusive na Itália, devido à presença das larvas. Resistentes aos ácidos do estômago, elas podem causar infecções intestinais e sintomas como dor abdominal, diarreia e vômitos.
A condição, além de causar a proibição, também fez o Casu Marzu ser registrado pelo Guinness World Records, em 2009, como o “queijo mais perigoso do mundo”. Em contato com a Globo Rural, Kylie Galloway, executiva sênior de relações públicas do livro dos recordes nas Américas, explicou que a categoria não é mais monitorada atualmente, mas, até ser desativada, o título pertencia à iguaria italiana.
Experiência inesquecível
Em viagem recente à Sardenha, a jornalista brasileira Alessandra Flores, de Florianópolis, teve a oportunidade de experimentar o Casu Marzu e descreveu o momento como peculiar e de forte simbolismo cultural. “Ele realmente é bem diferente. A primeira impressão não é nada boa. Para eles (moradores locais), é como se fosse um grande evento. Eles pegam o queijo no lugar onde guardam e servem com muito carinho e honra. Quando a tampa do queijo é aberta, é possível ver várias larvas minúsculas. Achei bem agoniante olhar para aquilo”, relata.
Segundo ela, apesar da aparência inusitada e do cheiro intenso, o sabor do queijo foi menos impactante do que imaginava. “Fiquei receosa em provar e optei por não pegar as larvas. Achei um queijo muito forte, mas confesso que estava preparada para algo pior, meio podre. No fim, achei até razoável. Não tive ânsia, nem nada disso. Valeu pela experiência. Estar lá e ter essa oportunidade foi incrível”, finaliza.
As informações são do Globo Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.
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