Influenciado também pela vida monástica, Simon buscava uma existência simples, longe do ritmo urbano. Hoje, cultiva a terra com a convicção de que o campo ainda pode ser um refúgio para quem quer reconectar-se com o essencial.
Imagem 1. Simon na sua sala de fabricação
Foto: Débora Pereira/Profession Fromager
Tornou-se carteiro aos 19 anos, o que lhe deu tempo de amadurecer seu projeto de criar a queijaria. Depois partiu para um ano sabático em 2004, para ingressar como monge na Abadia de Tamié, na Savoie. "Eles estavam, na verdade, modernizando, substituindo as prateleiras de madeira por prateleiras de aço inoxidável. Eles me disseram: '- É preciso conviver com os novos tempos'. Mas eu tinha uma nostalgia poética pela agricultura. Foram as fotos em preto e branco dos camponeses dos anos 1950 que me fizeram sonhar, eu aspirava a viver de forma autossuficiente", confessa.
"É um milagre ter sucesso."
Ele voltou a trabalhar em 2005 e assinou a compra de sua pequena fazenda em junho de 2005, nas montanhas dos Vosges, que divide a França da Alemanha, a 550 m de altitude. Não havia pastos, sim 45 hectares no meio da floresta. "Foi somente limpando e recuperando pequenos pedaços de terra difíceis de mecanizar que consegui chegar a uma área de 18 hectares de pastagens hoje".
Em 2006 que ele ganhou sua primeira vaca. "Foi um vizinho que eu estava ajudando que me deu a vaca. Comecei a fazer manteiga e queijo. Acordava às 3 da manhã porque tinha que estar nos correios às 7 da manhã, depois da ordenha." Ele se casou em 2015 e acabou deixando o emprego em 2016.
Imagem 2. Queijo de casca lavada
Foto: Débora Pereira/Profession Fromager
O rebanho de Simon Kieffer é pequeno, mas expressivo: são nove vacas da raça Vosgienne, responsáveis por uma produção anual de cerca de 20 mil litros de leite. A matéria-prima dá origem a queijos artesanais feitos sem o uso de fermentos comerciais — entre eles, uma massa prensada não cozida e um pequeno queijo de casca lavada, maturado no porão da própria casa. Também produz queijos frescos e iogurtes. Toda a produção é vendida diretamente ao consumidor.
"Há muitos agricultores que só pensam em crescer. Assim, quem têm mais terra quer criar mais animais e precisa comprar alimentos fora da fazenda todo ano, isso nunca acaba. Eu nunca cairei nessa lógica, tenho essa filosofia de autonomia. Mas é um milagre conseguir viver com 40 a 70 litros de leite por dia."
Hoje pai de três filhos, Simon Kieffer confessa ter feito algumas concessões em nome da saúde e do bem-estar. “Foram dez anos de ordenha manual, mas agora uso uma pequena sala de ordenha móvel, que levo até o pasto”, conta. Ele também aposentou o antigo trator por um modelo de mais potente e atual. “Gosto de ter uma cabine. Antes, no inverno, quando chovia, eu ficava encharcado...”
As informações são do blog Só queijo no Estadão, de Débora Pereira, adaptadas pela equipe MilkPoint