O estresse térmico é amplamente reconhecido como um risco à saúde e ao desempenho de vacas leiteiras, atraindo cada vez mais a atenção de pesquisadores.
A pesquisadora Jimena Laporta tem estudado o estresse térmico durante grande parte de sua carreira acadêmica, primeiro na Universidade da Flórida e agora como Professora Assistente em fisiologia da lactação na Universidade de Wisconsin.
Embora já saibamos bastante sobre os impactos do estresse térmico em vacas – incluindo a saúde e o desempenho de seus descendentes ainda no útero – o que dizer dos bezerros?
Recentemente, Laporta explicou em um webinar da I-29 Moo University que a sabedoria convencional sugere que os bezerros são menos afetados pelo calor e pela umidade do que as vacas adultas. Afinal, eles têm uma maior área de superfície relativa à massa corporal, permitindo dissipar calor mais facilmente. Além disso, possuem rúmen subdesenvolvido e geram menos calor metabólico.
No entanto, surpreendentemente, esses fatores não necessariamente proporcionam uma vantagem aos bezerros no enfrentamento do calor. Assim como o gado adulto, os bezerros têm uma zona termoneutra de cerca de 10-22°C. Dentro dessa faixa, eles conseguem manter sua temperatura corporal sem gastar energia adicional.
Condições fora dessa faixa, sejam elas de frio ou calor, fazem com que os bezerros redirecionem energia para regular a temperatura corporal. “Essa energia será retirada do crescimento e da função imunológica”, explicou Laporta.
Ela destacou que a temperatura termoneutra exata para bezerros, assim como o limiar em que são afetados pelo estresse térmico, depende de vários fatores, incluindo idade e tamanho do bezerro; velocidade do vento; temperatura ambiente e umidade relativa. O Índice de Temperatura e Umidade (THI, na sigla em inglês) considera a umidade juntamente com a temperatura ambiente, sendo um preditor mais preciso do estresse térmico.
Para vacas leiteiras adultas, um THI de 68 é usado como o limiar padrão para estresse térmico. No entanto, Laporta e sua equipe buscaram estabelecer parâmetros ambientais e baseados nos animais, específicos para bezerros leiteiros. Para isso, avaliaram o THI em relação a fatores como temperatura da pele, temperatura retal, taxa respiratória e frequência cardíaca.
Além disso, investigaram bezerros criados na Flórida e em Wisconsin para determinar se fatores climáticos e ambientais influenciavam a tolerância ao estresse térmico. As descobertas foram as seguintes:
-
Na Flórida, o THI em que os bezerros apresentaram mudanças abruptas na respiração foi 65. Para a temperatura retal, foi 67.
-
Em Wisconsin, os pontos de mudança para a respiração e temperatura retal foram ambos com um THI de 69.
Ao avaliar o efeito geral do THI, o estresse térmico em bezerros foi desencadeado com um THI de 65 na Flórida e 69 em Wisconsin. Isso equivale a taxas respiratórias surpreendentemente baixas, de 30 e 40 respirações por minuto, respectivamente.
Portanto, no ambiente quente e úmido 24 horas por dia da Flórida, os bezerros foram mais suscetíveis ao calor ambiental do que as vacas adultas, apresentando sinais de estresse com um THI menor. Considerando que bezerros submetidos ao estresse térmico consomem menos substituto de leite e ração inicial, além de terem mostrado posteriormente atraso na concepção e menor produção de leite na primeira lactação, Laporta afirmou que mitigar o estresse térmico provavelmente é um investimento válido. “Esta é uma especulação altamente provável, com base nos resultados que observamos até agora”, declarou.
Laporta e sua equipe estão até mesmo pesquisando métodos para ventilar mecanicamente abrigos individuais de bezerros usando ventiladores movidos a painéis solares. Mais do que nunca, tanto pesquisadores quanto produtores estão percebendo os benefícios de longo prazo de criar bezerros adequadamente.
“Estamos investindo nos nossos bezerros para a vida toda”, afirmou Laporta. “A redução do estresse térmico deve ser um desses investimentos.”
As informações são do Dairy Herd Management, traduzidas e adaptadas pela equipe MilkPoint.