Protesto de produtores poderá causar falta de lácteos no mercado argentino

Publicado por: MilkPoint

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A partir de segunda-feira a saída de produto dos laticínios será bloqueada


A falta de um acordo entre os produtores de leite, a indústria e os supermercados, em relação à fixação de um preço mínimo para o leite, acarretou em um anúncio, por parte das entidades agropecuárias da Argentina, de uma série de medidas enérgicas a serem tomadas a partir da próxima segunda-feira, as quais incluem o bloqueio à saída de lácteos das indústrias.

Se o protesto durar 36 horas, segundo os cálculos extremos dos ruralistas, a cidade de Buenos Aires poderá ficar desabastecida deste produto de primeira necessidade. "Recusamos a oferta da indústria de 0,19 pesos/litro (o que seria equivalente a cerca de US$ 0,09) a serem pagos a partir de março e informamos às autoridades da Secretaria de Agricultura que daríamos início a nosso plano de luta", mencionou o vice-presidente das Confederações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap), Jorge Asurmendi.

Os produtores querem um valor de 21 centavos de peso/litro (US$ 0,0998/litro) para o produto entregue em fevereiro e 24 (US$ 0,114/litro) para o produto comercializado a partir de hoje, 1o de março. "Na próxima semana, a Carbap, juntamente com entidades de Santa Fé e Córdoba, irão iniciar o protesto, uma vez que foram esgotadas as tentativas de negociação", declarou Asurmendi.

O responsável pela pasta de Agricultura da Argentina, Miguel Paulón, havia anunciado na sexta-feira passada que, devido à falta de entendimento entre as partes, o governo faria uma intervenção com a garantia de um preço mínimo obrigatório de 21 centavos/litro, durante 90 dias. No entanto, esta possibilidade agora está praticamente descartada. Desde a década de 80 o estado não intervém nos preços dos alimentos e poderia ser criado um precedente perigoso para o governo, motivando a solicitação de soluções semelhantes para outros setores em crise.

Além disso, longe de ficar preocupada com o anúncio feito, a indústria láctea e os supermercados responderam que o aumento de seus custos representaria um aumento de cerca de 25% no preço do leite para o consumidor. Estas circunstâncias, somadas à falta de uma base legal para implantar o peço mínimo, fizeram com que Paulón postergasse a decisão.

No entanto, para o diretor da Sociedade Rural Argentina (SRA), Hugo Luis Biolcati, que participou, juntamente com Asurmendi, da reunião com Paulón e o subsecretário de Alimentos, Roberto Domenech, a idéia de praticar-se um valor mínimo não foi descartada. "Todavia não puderam nos dar um retorno a respeito de nossa proposta de 21 centavos para fevereiro e 24 para março, porque isso teria que ser discutido com a indústria", afirmou Biolcati.

Queremos resolver esta situação e, embora nossa entidade não aprove medidas extremas, desta vez daremos o nosso apoio", declarou Biolcati a respeito do bloqueio da saída de produtos das indústrias.

Por sua vez, o presidente da Confederação de Associações Rurais de Córdoba e San Luis (Cartez), Néstor Roulet, que também participou da reunião, afirmou que o preço de 19 centavos é muito ruim para o setor produtivo, pois permitiria aos produtores apenas cobrir seus custos, sem nenhuma margem de lucro.

O valor recebido pelos produtores em relação ao preço final do leite é um dos temas mais discutidos. No caso do leite, a participação não chega a 20%. Segundo dados apurados por Roulet, um quilo de queijo duro contém cerca de 12 kg de leite e é vendido a 10 pesos (US$ 4,75). No entanto, deste total, o produtor recebe apenas 1,60 peso (US$ 0,76). "O nosso interesse é que o consumidor tenha conhecimento do problema e que a indústria aumente o preço pago ao produtor sem aumentar o preço final do produto", disse o dirigente da Cartez.

ÚLTIMA NOTÍCIA

Devido ao impasse nas negociações o Ministério da Agricultura e a Secretaria de Defesa do Consumidor da Argentina decidiram fixar um preço mínimo de emergência para o leite, pago aos produtores, de 20 centavos de peso, durante os próximos 60 dias.

As entidades rurais ficaram insatisfeitas com o anúncio e mantiveram o protesto marcado para próxima segunda-feira.

A indústria argumenta que não terá como pagar este aumento.

Fonte: La Nácion (por Franco Varise), adaptado por Equipe MilkPoint
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