Proteínas animais pressionaram preços dos alimentos em 2025

Enquanto carnes e queijos acumularam altas expressivas no ano, dezembro trouxe queda nos preços do leite UHT e de alguns derivados, ajudando a conter a inflação no curto prazo.

Publicado por: MilkPoint

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Em 2025, os preços de proteínas animais no Brasil, como carne bovina e suína, subiram significativamente devido a custos elevados, oferta ajustada e demanda forte, impactando a inflação de alimentos. A carne bovina aumentou 2,3% em dezembro, enquanto queijos tiveram alta de 12,4% no ano. Apesar disso, o leite UHT caiu 5,3% no mesmo mês. O café teve a maior alta anual, com aumento de 40,7%. O IPCA subiu 0,33% em dezembro, indicando um cenário inflacionário. A previsão para 2026 é de um ambiente mais moderado, mas ainda desafiador.

As proteínas animais estiveram entre os principais vetores de pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil em 2025. Carne bovina, carne suína e derivados lácteos encerraram o ano com altas expressivas, reflexo de custos elevados, oferta ajustada e demanda firme, tanto no mercado interno quanto no externo. Esse movimento impactou diretamente o orçamento do consumidor e contribuiu para sustentar a inflação de alimentos ao longo do período.

Dados do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, mostram que, apenas em dezembro, a carne bovina registrou aumento médio de 2,3% no país, enquanto a carne suína subiu 2,2% na comparação mensal. No acumulado de 2025, os queijos apresentaram valorização de 12,4%, consolidando-se entre os itens mais pressionados da cesta alimentar.

Apesar desse cenário, o fechamento do ano trouxe um alívio pontual para o segmento lácteo. O leite UHT apresentou queda média nacional de 5,3% em dezembro, movimento ainda mais intenso na Região Sul, onde a retração chegou a 7,7%. Outros derivados também recuaram na região, como queijos (-3,8%) e leite em pó (-3,3%), contribuindo para conter a inflação no curto prazo.

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Segundo Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento das proteínas animais ao longo de 2025 ajuda a explicar o cenário inflacionário observado. Para ela, o ano foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como carnes e café, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor.

No caso da carne bovina, a valorização ao longo do ano foi resultado da combinação entre custos de produção mais altos, ajustes na oferta e a força das exportações. Já na cadeia do leite, o aumento dos preços de derivados, como os queijos, refletiu tanto o encarecimento da matéria-prima em determinados períodos quanto a elevação dos custos industriais e logísticos.

 

Além das proteínas animais, outros itens essenciais da cesta de consumo também encerraram 2025 em alta. A margarina acumulou aumento de 12,1%, o creme dental subiu 11,7% e a cerveja registrou elevação de 6,2%, evidenciando um cenário disseminado de reajustes ao longo do ano.

O destaque negativo ficou novamente com o café, que liderou as altas no acumulado anual. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o produto ficou 40,7% mais caro, com o preço médio passando de R$ 53,58 para R$ 76,36. A elevação ocorreu mesmo diante de uma safra brasileira estimada em 56,5 milhões de sacas, crescimento de 4,3% em relação a 2024, segundo a Conab. No entanto, a produção de café arábica — variedade mais consumida no mercado interno — caiu 9,7%, impactada por baixa produtividade e condições climáticas adversas, o que reduziu a oferta e pressionou os preços.

Apesar das altas acumuladas, dezembro trouxe quedas relevantes em itens básicos da alimentação, ajudando a amenizar a inflação no curto prazo. Além do leite UHT, os ovos recuaram 3,6% e o arroz, 2,2% no fechamento do ano.

No recorte regional, a Região Sul apresentou comportamento heterogêneo dos preços em dezembro. Enquanto os legumes lideraram as altas, com avanço de 8,4%, também registraram elevação a água mineral (3,8%), os biscoitos (3,5%), os bovinos (3,4%) e o sabonete (2,7%). Por outro lado, além dos lácteos, o frango apresentou queda de 3,1% no período.

No cenário macroeconômico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em dezembro de 2025, acelerando em relação a novembro e indicando a manutenção de um ambiente inflacionário, ainda que com comportamento desigual entre os diferentes grupos de consumo.

Para 2026, a avaliação da Neogrid aponta um cenário mais moderado, embora ainda desafiador. Segundo Anna Carolina Fercher, itens sensíveis ao câmbio e à conjuntura global devem seguir pressionados, enquanto mercadorias básicas tendem a apresentar maior estabilidade, reduzindo o risco de uma inflação disseminada. Ainda assim, fatores climáticos e macroeconômicos continuam exigindo atenção.

As informações são do O Presente Rural, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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