Produtos artesanais do Uruguai têm mercado nos EUA

Publicado por: MilkPoint

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Atraídos pela expectativa de colocação de seus produtos no exterior, dezenas de produtores de queijos de São José e Colônia, no Uruguai, participaram do seminário sobre "Nichos de Mercado nos Estados Unidos".

O evento, realizado no Teatro Macció, serviu para convencer os produtores uruguaios de que o mercado dos EUA não é inacessível, como poderia parecer à primeira vista, e que existem fortes possibilidades de boa parte dos produtores de queijos daquele país poderem reunir em breve as condições necessárias para tal empreendimento, até agora irreal.

O encontro, organizado pela Embaixada dos EUA e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), teve como objetivo apoiar os produtores uruguaios, sendo que 82% deles estão localizados nas duas províncias citadas, para obter uma compreensão mais ampla sobre o mercado de lácteos dos EUA e explorar seus nichos nessa área.

A atividade, que também contou com o apoio das Intendências do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca (MGAP) do Uruguai e do Laboratório Tecnológico do Uruguai (LATU), reuniu importantes autoridades governamentais e especialistas da indústria leiteira do Uruguai e dos EUA.

A perspectiva de exportar queijos aos EUA é hoje uma realidade, disse o produtor da região de Ecilda Paullier após finalizar suas exposições, Alberto O'Brien. Segundo ele, o evento foi uma "honra" dada pelo governo dos EUA, indicando que há nichos para a colocação de queijos artesanais nesse mercado. "As exigências de entrada a esses mercados que hoje estamos tentando conquistar não diferem das existentes em outras partes do mundo. Não devemos perder de vista que a maioria do queijos elaborados na Europa é feita com leite cru, e, cumprindo a regulamentação para este tipo de produção, podemos exportar para qualquer lugar do mundo".

O único obstáculo que os produtores uruguaios viram durante a reunião foi o comercial. "É evidente que deve haver certa quantidade de leite para reduzir os custos. No Uruguai, os produtores com uma boa quantidade de leite podem ser contados com os dedos da mão, já que a grande maioria maneja cerca de 500 a dois mil litros. É impossível que um produtor com este volume possa vender sua produção ao exterior, o que determina a necessidade da união", observou.

O'Brien integra um grupo de 30 queijeiros do oeste do departamento. Ele afirmou que o produtor de queijo artesanal é pouco participativo devido ao seu estilo de vida. "Tem de ordenhar duas vezes ao dia e fazer seu queijo, de forma que sobra pouco tempo para se juntar e trabalhar em grupo".

Em sua opinião, é aí que surge justamente o trabalho do governo, "quando as autoridades nacionais e das províncias perceberem que a produção de queijos artesanais é um diamante bruto, que precisa ser polido e pode converter-se em uma ferramenta valiosa para evitar a emigração dos produtores aos cinturões de miséria das cidades. Neste ponto, creio que as autoridades ainda estão no débito".

Sem medos

"Os produtores pensam que são pequenos para entrar no mercado dos EUA, mas não há necessidade de colocar o produto em todos os estados", disse o assessor estadunidense do governo uruguaio, Paul Savello. "Se você está fazendo queijo Gouda ou Dambo, deve objetivar um Estado que tenha uma população com forte ascendência dinamarquesa e assim deve ser com todos os produtos".

As autoridades dos EUA foram representadas pelos integrantes do Departamento do Estado, do Departamento de Agricultura e do Serviço de Inspeção Sanitária Animal e Vegetal. Além disso, a reunião contou com a participação de companhias estadunidense, como Land O'Lakes, World Perspectives e Pascual Dairy.

A tendência geral do comércio global de lácteos foi o tema inicial do seminário, abordado pelos especialistas dos Estados Unidos David Juday e Rodrigo Brenes, após uma breve cerimônia inicial que contou com a participação dos intendentes de ambos os departamentos e do diretor de Sanidade Animal de Serviços Pecuários do MGAP, Recaredo Ugarte.

O assessor do MGAP, Paul Savello, juntamente com Eliecer Sherntov e Yosef Feigelstock, analisou a demanda dos EUA por queijos artesanais especiais. O seminário culminou com exposições do representante do LATU, Jorge Castro, e do MGAP, Menrique Laborde, sobre procedimentos e requisitos uruguaios de certificação de exportação em lácteos.

Existem no Uruguai entre 2 mil e 2,5 mil produtores de queijo artesanal, dos quais 85% estão localizados nos departamentos de São Jose e Colônia, que produzem 80% do produto no país. Vários deles exportam sua produção à Argentina e ao Brasil.

Fonte: El Pais, adaptado por Equipe MilkPoint
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