Do total de produtores avaliados, 59,6% possuem sinal apenas na sede da fazenda, enquanto 15,1% não têm qualquer tipo de acesso à internet.
Para a elaboração do estudo, o Banco do Brasil entrevistou 277 produtores cadastrados na plataforma Broto, pertencente à instituição. Desse grupo, 90% são proprietários de pequenas e médias propriedades (até mil hectares) e 63% apresentam receita bruta anual de até R$ 360 mil. O levantamento analisou ainda o tipo de conexão, a qualidade do serviço, os gargalos estruturais, os impactos sobre os negócios e a demanda por tecnologia no campo.
Os dados indicam que a conectividade rural no Brasil ainda depende, em grande parte, de soluções alternativas à infraestrutura tradicional, como redes extensas de fibra óptica e cobertura móvel de alta capacidade (4G e 5G), mais comuns em áreas urbanas. Atualmente, a fibra óptica (23,7%) e os satélites (23,3%) lideram as formas de acesso nas propriedades rurais, seguidos por rádio (17,4%) e 4G (16,2%).
Tecnologias mais antigas, como o 3G, ainda representam 10,3% das conexões. Já o 5G, considerado estratégico para o avanço da automação agrícola, responde por apenas 9,1% dos acessos.
Em relação à qualidade da conexão, 20,1% dos produtores classificaram o serviço como excelente, com velocidade e estabilidade adequadas para aplicações mais avançadas, enquanto 31,1% avaliaram a internet como boa. Outros 33,5% consideraram a conexão regular, e 15,3% relataram que o serviço é ruim. Na prática, 48,8% dos produtores rurais convivem com internet lenta ou instável, com quedas frequentes, o que compromete a adoção de tecnologias digitais no campo.
Apesar das limitações, o interesse por inovação é elevado. O levantamento mostra que mais de 95% dos produtores desejam investir em soluções digitais, mas encontram na conectividade o principal obstáculo.
Dois terços dos entrevistados (66,1%) afirmaram que certamente investiriam mais em tecnologia caso tivessem acesso à internet de qualidade em toda a fazenda. Outros 29,2% condicionam esse investimento a uma boa relação custo-benefício, enquanto apenas 4,7% dizem não ver necessidade de novos investimentos.
“Muitos estudos já mostram que o produtor usa tecnologias digitais, mas faltava aprofundar o que esse ‘uso’ realmente significa dentro da fazenda”, afirma José Evaldo Gonçalo, principal executivo do Broto. “O WhatsApp é uma tecnologia digital, mas não digitaliza uma propriedade rural nem representa agricultura de precisão. Para falar de sensores, máquinas conectadas, gestão em tempo real e tomada de decisão baseada em dados, a internet precisa estar na lavoura ou no pasto, e não apenas na sede.”
A limitação da conectividade tem impactos diretos sobre a competitividade das propriedades rurais. Entre os produtores consultados, 87% afirmaram já ter perdido negócios, produtividade ou eficiência operacional devido à ausência de conexão ou à baixa qualidade do sinal.
Do total, 49,1% relataram que às vezes perdem oportunidades por não contar com internet adequada, enquanto 37,9% disseram que isso ocorre com frequência. Apenas 13% afirmaram nunca ter sido prejudicados.
“Conectividade é infraestrutura produtiva. Quando a internet falha, o produtor perde janela de decisão, eficiência e, muitas vezes, oportunidade de negócio”, avalia o executivo.
De acordo com a pesquisa, os principais obstáculos para a melhoria da conectividade no meio rural são estruturais e financeiros. Para 41,5% dos produtores, a falta de serviços e suporte técnico nas áreas rurais é o maior entrave, enquanto 39,4% apontam o alto custo como a principal barreira para ampliar ou qualificar o acesso à internet.
As informações são do Globo Rural.