Produtores invadem e paralisam indústrias de laticínios

Publicado por: MilkPoint

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Produtores de leite organizaram uma mobilização para protestar contra a portaria 56 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que prevê exigências visando dar maior qualidade ao leite produzido no Brasil. Os organizadores do movimento alegam que a portaria iria eliminar 600 mil dos 900 mil produtores de leite do País, devido ao valor do investimento em equipamentos.

O protesto paralisou laticínios nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Cerca de 300 produtores de leite da região oeste de Santa Catarina fecharam ontem o laticínio da Tirol, em Chapecó, que processa 130 mil litros de leite por dia. A concentração foi iniciada por volta das 6h30min nos portões da unidade.O objetivo dos produtores foi protestar contra a portaria 56 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que prevê exigências visando dar maior qualidade ao leite produzido no Brasil. Entre as exigências estão a proibição do método de pasteurização lenta, o fim do contato do leite com o ar, a obrigatoriedade da temperatura de 4ºC após a ordenha e testes periódicos de células somáticas e placas.

A mobilização foi realizada em 10 estados, sendo em cinco pela questão do leite e nos outros pela obtenção de crédito. Segundo o coordenador do Movimento dos Pequenos Agricultores da Região Oeste, Cledecir Zuchi, a portaria iria eliminar 600 mil dos 900 mil produtores de leite do País. Isso porque o investimento em maquinários atingiria R$ 25 mil por produtor.

Os atuais resfriadores chegam a apenas 7ºC, contra os 4ºC exigidos. Zuchi afirmou que as indústrias também estão pressionando os produtores a comprar tanques de expansão e equipamentos exigidos pela portaria. O protesto foi também contra as empresas, exigindo apoio contra a proposta do ministério.

Como o protesto bloqueou a passagem dos caminhões de leite, cerca de 60 mil litros de oito caminhões foram impedidos de entrar na indústria. A juíza Bettina Maresch de Moura concedeu um interdito proibitório, pelo qual o movimento teria que ficar a 200 metros do portão de entrada. Policiais militares do Grupo de Respostas Táticas foram chamados para cumprir a ordem judicial.

O vice-prefeito Pedro Uczai e vereadores tentaram negociar com as partes para evitar o confronto. Por volta das 17h20min os policiais avançaram em direção aos manifestantes, que recuaram sem agressões, liberando os caminhões. No entanto, o acampamento foi mantido nas proximidades.

Os produtores querem uma audiência com o Sindicato das Indústrias de Leite e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O gerente da unidade da Tirol, Auri Meisterlin, achou descabido o fechamento da fábrica. "A portaria não é nossa", explicou. Ele negou que as indústrias estejam pressionando os produtores a aplicar as exigências da portaria, pois perderiam 50% dos fornecedores. Mas avalia que algumas melhorias deverão ser aplicadas para que o País exporte leite.

Rio Grande do Sul

Centenas de integrantes dos movimentos dos Pequenos Agricultores (MPA) e dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram na madrugada de ontem quatro usinas beneficiadoras de leite no Estado do Rio Grande do Sul e o prédio da Delegacia do Ministério da Agricultura, em Porto Alegre.

Foram ocupadas indústrias em Santa Rosa, São Lourenço do Sul, Carazinho e Teutônia. Até a noite, os manifestantes continuavam o protesto. Os produtores pedem aumento no preço do leite, fim das importações e revogação da Portaria 56 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Querem ainda recursos e anistia das dívidas das famílias prejudicadas pela estiagem.

Um incidente com a Brigada Militar marcou o início do protesto na Elegê Alimentos, em Santa Rosa. Dois manifestantes foram feridos quando tentavam ocupar o pátio da empresa, às 5h30min. Um dos coordenadores do MST, Ailton Croda, apresentava marcas nas costas. "vamos pedir abertura de inquérito civil e militar e denunciar à Comissão de Direitos Humanos", ameaçou.

A Brigada Militar informou que um oficial está sendo nomeado para instauração de inquérito militar para apurar os fatos. No final da tarde, a Justiça de Santa Rosa concedeu reintegração de posse à Elegê. Hoje, às 13h, os ocupantes terão audiência com a juíza Inajá Bigolin. Em São Lourenço do Sul, os manifestantes ocuparam por volta das 5h o pátio da Elegê, impedindo a entrada de funcionários. A Justiça concedeu reintegração de posse.

Na avaliação do diretor de Planejamento da empresa, Ernesto Krug, inexiste um diálogo eficiente com os produtores. "Não sabemos o que eles querem, pois só protestam e não esclarecem suas reivindicações", acrescenta. Krug lembra que a empresa mantém negociações permanentes com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), que representa 25 cooperativas responsáveis pela entrega de leite à Elegê. Sobre o principal motivo do movimento, o reajuste do preço pago ao produtor, Krug diz que "a Elegê tem concedido os reajustes de acordo com a realidade de mercado e a viabilidade da empresa".

Os produtores também invadiram a Parmalat em Carazinho. Funcionários foram impedidos de entrar e o trabalho na empresa foi suspenso. No início da tarde, a 1a Vara Cível de Carazinho concedeu a reintegração. Conforme a assessoria da Parmalat, os produtores saquearam os depósitos e não procuraram a direção para apresentar propostas. Conforme a liminar, os agricultores deveriam deixar a fábrica até às 14h de ontem. A Brigada Militar permanecia no local até o fim da noite.

No pátio da Elegê em Teutônia, conforme destacou a Brigada Militar, os produtores continuavam acampados no início da noite. A Justiça de Teutônia notificou o MPA a comparecer a uma audiência com representantes da indústria, mas não houve acordo. À noite, a juíza Rosângela Carvalho decidiu que concederá hoje a reintegração de posse.

Em Porto Alegre, cerca de 600 manifestantes invadiram o prédio da Delegacia do Ministério no início da manhã. À tarde, a Justiça Federal concedeu prazo de 24 horas para que o MPA se manifeste sobre a ação. A decisão sobre o pedido de reintegração de posse formulado pela Advocacia Geral da União será tomada depois de ouvidos os agricultores.

Segundo o coordenador da mobilização e integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Paulo Faccione, se a Portaria 56 vigorar, 87% dos produtores brasileiros que produzem até 30 litros diários de leite abandonarão a atividade. "Em 1996 existiam 1,8 milhão de famílias produtoras de leite no País. Em 2000, esse número caiu para 950 mil famílias", assinala o dirigente.

Na tentativa de resolver o impasse, o secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, intermedia, hoje, encontro entre o MPA e a indústria do leite. A reunião será realizada às 10h, na Secretaria da Agricultura, em Porto Alegre. Segundo Faccione, os manifestantes permanecerão mobilizados até que a discussão sobre o assunto evolua. "Se não obtivermos uma resposta positiva nesta reunião, vamos aumentar o número de protestos", anuncia.

Fonte: Diário Catarinense (por Darci Debona) , Zero Hora/ RS, Jornal do Comércio/ RS e Gazeta Mercantil (por Caio Cigana), adaptado por Equipe MilkPoint
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