Os produtores goianos reagiram com irritação ao anúncio de que os laticínios pretendem, a partir desse mês, reduzir em até R$ 0,04 os preços do litro de leite. O secretário da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg), Guilherme Lourenço de Castro, disse que durante todo o dia recebeu dezenas de telefonemas de produtores indignados com a ameaça de redução de preços em pleno pico da entressafra.
"Se a indústria derrubar os preços do leite estará dando um tiro no próprio pé, pois se agravarão as dificuldades dos produtores, que já estão debandando, em grande parte, para outras atividades", afirmou.
Castro disse que não entra no mérito do pedido dos laticínios para que o governo reduza a carga tributária do segmento para mantê-lo competitivo. "Só não podemos aceitar que a ineficiência da indústria seja compensada com o aviltamento de preços da matéria-prima", protestou, argumentando que as importações de lácteos caíram 60% e, pelo menos no caso de Goiás, a produção de leite reduziu-se em cerca de 20%. "Portanto, ao contrário de outras oportunidades, hoje o segmento não tem qualquer justificativa plausível para reduzir os preços do leite, a não ser sua própria falta de competitividade", alfinetou.
O secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Leite (Sindileite), Alfredo Luiz Correia, disse que não polemizará com os produtores sobre a questão, mas acrescentou que dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) indicam que de janeiro a maio deste ano, o preço médio do leite em Goiás esteve sempre acima da média do restante do País.
Ele admitiu, entretanto, que a indústria se preocupa com o desmantelamento do setor produtivo do leite, daí sua busca por alternativas que permitam maior estabilidade do setor, como é o caso da reivindicada isonomia tributária com os estados concorrentes.
Para o diretor da Faeg, o equívoco do Sindileite é o de levar em conta apenas o preço médio pago ao produtor, sem considerar a evolução dos custos de produção do leite. Segundo ele, de agosto de 2002 a julho desse ano, os preços pagos ao produtor foram reajustados na média em 24%, passando de R$ 0,37 o litro para R$ 0,46, mas os insumos de produção subiram 30% no mesmo período. "Se não tivermos maturidade para buscar o equilíbrio dentro da cadeia produtiva, de nada adiantará o governo continuar concedendo incentivos à indústria, pois sem renda, o produtor continuará em crise", argumentou.
Fonte: O Popular/GO (por Edimilson Souza Lima), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores goianos protestam contra sinalização de queda de preço do leite
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