Grande parte dos produtores gaúchos está preocupada com a regulamentação da produção leiteira prevista pela Portaria 56, que poderá ser publicada pelo Ministério da Agricultura em meados do próximo ano. A tecnificação da atividade, com o apelo da qualidade, agrada os consumidores e já é executada em algumas propriedades de ponta no Rio Grande do Sul, mas não encontra apoio total nem entre os representantes das indústrias.
Para o presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL) e diretor de Planejamento e de Política Leiteira da Elegê Alimentos, Ernesto Krug, o princípio da portaria é correto, porque torna competitivo o setor leiteiro diante do desafio da globalização e das exigências dos consumidores. Mas o dirigente acha muito cedo para obrigar o produtor a investir na modernização da propriedade. A data sugerida para os nortistas e nordestinos seria a mais apropriada, na avaliação de Krug.
A portaria deve vigorar em julho de 2002 nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, e a partir de julho de 2004 no Norte e no Nordeste. As novas normas acabarão com o uso de latões e eliminarão a prática de ordenha manual. Entrarão em cena as ordenhadeiras mecânicas que conduzem o líquido direto para resfriadores em aço inox, instalados a poucos metros da sala de ordenha. De lá, o leite sairá em veículos equipados com tanques isotérmicos para as usinas.
Governo estadual e entidades ligadas aos trabalhadores rurais consideram o projeto "excludente, caro e insustentável do ponto de vista econômico, social e ambiental". Segundo o coordenador de Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura, Inácio Benincá, 93,3% dos produtores gaúchos são de pequeno porte (entregam menos de 50 litros de leite por dia) e não têm como investir milhares de reais nas modificações exigidas pela medida. Benincá prevê que a Portaria excluirá da produção 50 mil dos atuais 70 mil leiteiros gaúchos.
fonte: Zero Hora (por Jorge Correa), adaptado por Equipe MilkPoint
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