Embora Uberlândia não integre as regiões que fazem parte do Programa Queijo Minas Artesanal, projeto criado pelo governo estadual que delimitou a produção artesanal em algumas regiões de modo a conseguir um produto diferenciado, o queijo fabricado por alguns produtores da cidade, assistidos pelo departamento de economia doméstica da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), atendem aos padrões de qualidade e têm mercado garantido.
A produção local é comercializada em Uberlândia mesmo e a prova de que a demanda é grande é que há famílias que se sustentam com esta atividade produtiva. De acordo com a economista doméstica da Emater, Aparecida de Lourdes Alves, há fabriquetas na região da Tenda dos Morenos, por exemplo, que fazem cerca de 250 peças por dia. Cada unidade é vendida aos revendedores por preços que variam entre R$ 4,50 e R$ 5.
De acordo com dados da Emater, 128 pessoas estão cadastradas como produtoras em Uberlândia, mas, como este número se refere a apenas seis comunidades do Município, não traduz a real totalidade de produção da cidade. "O que temos aqui é o queijo minas padrão, feito com toda a tecnologia, a começar pela pasteurização do leite. Assim como o artesanal, a qualidade do nosso queijo mineiro é muito boa", afirmou Aparecida.
A Emater desenvolve um trabalho de orientação, que inclui informações técnicas e qualificação da mão-de-obra. "Nas comunidades que atendemos, trabalhamos com a questão de higienização, rotulagem obrigatória e os processos de fabricação. Dentre as exigências, as mais importantes são o uso do leite pasteurizado, a higiene e o controle da sanidade do rebanho", comentou a economista.
Produto diferenciado
Idealizado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o projeto Queijo Minas Artesanal regionalizou a produção artesanal com áreas delimitadas por legislação. Atualmente, quatro regiões são contempladas pelo programa: Canastra, Serro, Alto Paranaíba e Araxá. No restante de Minas Gerais, o queijo minas produzido é classificado como padrão.
A legislação foi proposta pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) para obter um produto diferenciado e que observasse padrões de higiene e qualidade sanitária e fosse capaz de atender ao mercado mais exigente.
Tecnicamente, segundo Patrícia Beatriz Modesto, da Emater, o processo de produção dos queijos segue as mesmas etapas:
leite/coalho/mexedura/enformar/maturação. "Uma das diferenças é que no produto artesanal, o leite é utilizado in natura, enquanto no queijo padrão utilizamos apenas o leite pasteurizado. Também deixamos de usar a mesa de madeira para a cura e produzimos o queijo minas em tamanhos variados", explicou.
Segundo alguns pesquisadores, o diferencial gerado pela utilização do leite in natura está no paladar, pois ele mantém o teor de gordura natural, entre outras substâncias que são diminuídas com a industrialização. Entre as exigências para a produção do queijo minas artesanal destacam-se a obrigatoriedade de não utilizar técnicas industriais como ultrafiltração do leite, prensagem mecânica, entre outras. Também só deve ser utilizado o leite produzido na propriedade, cujo rebanho atenda às especificações de sanidade e inspeção previstas em regulamento.
Fonte: Jornal Correio/Uberlândia (por Cecília Barcelos), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores de queijo de Uberlândia têm mercado garantido
Publicado por: MilkPoint
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