Produtores de leite do Paraná pedem mobilização

Publicado por: MilkPoint

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A organização é o primeiro passo para os produtores de leite enfrentarem a crise que nos últimos anos vem assolando o setor no Paraná, responsável pela produção anual de dois bilhões de litros do produto. Esta foi uma das conclusões da sétima audiência pública da CPI do Leite do Paraná, presidida pelo deputado Orlando Pessuti (PMDB), realizada ontem pela manhã no plenarinho da Assembléia Legislativa. Produtores da Região Metropolitana de Curitiba, da Lapa, Arapoti, União da Vitória, Adrianópolis, Irati e litoral do Estado foram unânimes ao constatar que o mercado leiteiro precisa ser regulamentado com urgência, a começar por uma legislação que inclua o leite na política de preços mínimos do governo federal.

Uma das provas de que os produtores de leite estão se organizando foi dada pelo presidente da Clac (Cooperativa de Laticínios de Curitiba), Luís Gilberto Moretti, que reúne 940 filiados. Ele entregou ao presidente da CPI um abaixo-assinado, onde cerca de dois mil representantes do setor leiteiro cobram resultados da Comissão, ao mesmo tempo em que manifestam apoio às investigações iniciadas no final de janeiro nas audiências públicas realizadas em Ponta Grossa, Guarapuava, Francisco Beltrão, Cascavel, Maringá e Londrina. Ao entregar o documento, Moretti lamentou a desunião dos produtores paranaenses.

Além da autocrítica, os depoimentos foram marcados pelas lamentações. "Os agricultores compram insumos em dólar e vendem o litro de leite e os produtos hortifrutigranjeiros em centavos de real", desabafou o produtor Paulo Danova, de São José dos Pinhais. A solução, segundo ele, é organizar os produtores. Opinião semelhante manifestou Luís Carlos Kals, produtor da Lapa, ao defender "normas claras" de proteção a quem se dedica à atividade, "é preciso regulamentar o setor leiteiro, estabelecendo o preço mínimo para o produto".

De acordo com o agricultor Benedito Hobi, de Porto União, para compensar os investimentos e mão-de-obra empregados na produção leiteira, o produtor deveria receber pelo litro de leite a metade do que o consumidor paga, o que não acontece atualmente. Sobre os custos de produção, Ana Maria Hecht, de Irati, reclamou das exigências impostas pela portaria 56 do Ministério da Agricultura, que proíbe a ordenha manual e determina o resfriamento do produto. "As ordenhadeiras e os resfriadores têm um custo muito alto", apontou.

Quem concorda com a produtora de Irati é Ronei Volpi, da Faep (Federação da Agricultura do Paraná). Ele entende que o produtor não pode pagar a conta sozinho, "os produtores estão à beira da falência, mas esperançosos", ponderou. Ele defendeu a adoção de uma política agroindustrial no Estado. E arrematou: "Temos que preservar o mercado interno e conquistar o externo".

No final da audiência pública, o relator da CPI do Leite, deputado Cezar Silvestri (PPS) relacionou várias propostas apresentas por produtores, donos de laticínios e consumidores do interior do Estado. Além do preço mínimo para o leite, as sugestões incluem redução do prazo de validade do leite Longa Vida de 180 para 60 dias, combate ao monopólio exercido pelos fabricantes de embalagens (no caso, Tetra Pak), instalação de uma indústria de leite em pó no Paraná e criação de uma agência reguladora nacional para fiscalizar o setor leiteiro.

1.400% a mais

A variação entre o valor do litro do leite pago ao produtor e o preço cobrado dos consumidores no Paraná pode chegar a 1.400%. Esta é outra conclusão da CPI do Leite. ''Na audiência confirmaram-se as denúncias feitas em reuniões anteriores'', afirmou o presidente da CPI. Segundo ele, até então o menor preço (R$ 0,11) havia sido registrado na audiência pública realizada em Maringá. Ontem, um produtor de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) apresentou uma nota em que recebeu apenas R$ 0,08 pelo litro de leite, que seria destinado à produção de derivados.

De acordo com levantamentos da comissão, o consumidor chega a pagar R$ 1,40 pelo litro de leite em panificadoras e estabelecimentos similares. Considerando a média de preço paga ao produtor, de R$ 0,20 a R$ 0,23, o acréscimo no custo final do leite é de no mínimo 700%.

Em princípio, a audiência pública em Curitiba foi a última de outras seis realizadas no Interior do Estado. A CPI, informou Pessuti, vai agora convocar representantes das indústrias de embalagens, envasamento, derivados e grandes redes de comércio varejista (supermercados). A intenção é descobrir quais os fatores que estão encarecendo o leite depois que o produto sai das propriedades ou ainda, se está havendo ''exagero na margem de lucro'' por algum desses setores.

Fonte: Gazeta do Paraná e Folha de Londrina (por Andréa Lombardo), adaptado por Equipe MilkPoint
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