Os produtores de leite de Goiás organizaram uma manifestação, que deverá ocorrer na próxima sexta-feira em Goiânia, reunindo cerca de 1,5 mil pessoas. A estimativa é de que os produtores se reúnam pela manhã na sede da Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg) e, à tarde, sigam em passeata para o Palácio das Esmeraldas, seguindo então, para a Assembléia Legislativa, onde os produtores pretendem ordenhar alguns animais.
O que levou os produtores a tomar esta atitude foi a redução drástica nos preços pagos pelo leite que, na entressafra, período que tradicionalmente ocorre um aumento nos preços, houve uma redução média de 42,8% no Estado. Depois de pagarem até R$ 0,42 pelo litro, as indústrias recuaram e já sinalizam preços de R$ 0,24 na maior parte das bacias leiteiras. "Ao mesmo tempo, estamos pagando insumos em dólar, não há empresário que sustente esta pressão", diz Maurivan Siqueira, presidente da Comissão Permanente de Pecuária de Leite da Faeg. Ele comenta que, em algumas regiões, o problema é ainda mais grave, como no município de Uruaçu, onde a previsão é que o preço possa ficar abaixo de R$ 0,20.
Siqueira informou que o protesto tem o objetivo de obter o apoio de Marconi Perillo - governador de Goiás - bem como dos deputados, para a implantação de uma indústria de laticínio no Estado, controlada pela Cooperativa Central de Laticínios de Goiás (Centroleite). Segundo dados da Secretaria da Agricultura goiana, a construção da unidade demandaria investimentos de até R$ 30 milhões.
Atualmente, a Centroleite capta 600 mil litros de leite por dia - de 11 cooperativas de Goiás e 4 do Triângulo Mineiro - que são comercializados para laticínios de todo o País, e é responsável por 25% da produção goiana.
Siqueira acredita que é possível implantar a indústria no prazo de um ano. Ele disse que os produtores pedirão ao governo que dê à nova indústria os mesmos incentivos já concedidos a laticínios instalados no Estado.
Segundo Siqueira, as indústrias alegaram que o racionamento de energia foi a causa da redução nos preços, mas ele não acredita nisso. "No ano passado tivemos o mesmo problema e, naquela época, não havia racionamento. Isso mostra que a cada ano eles vão apresentar novas desculpas." Segundo ele, a cartelização da indústria de leite parece ter se tornado "normal".
Porém, Domingos Vilefort Orzil, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios no Estado de Goiás (Sindileite), alega que a queda no preço do leite não é provocada diretamente pela indústria, dizendo que o consumidor não está em condições de pagar um preço mais alto pelo leite. "Este é um problema do próprio mercado, tanto que as cooperativas, mantidas pelos produtores, estão pagando os mesmos preços."
O aumento em torno de 10% na produção brasileira e o consumo retraído por conta do desemprego e do racionamento, foram os argumentos usados por Orzil para explicar a queda nos preços do leite, em plena entressafra. Segundo ele, a perspectiva é de melhora para os próximos meses, em decorrência da reação do consumo. "Por isso acho que o preço não deverá cair mais do que isso."
fonte: Gazeta Mercantil (por Rejane Braz), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores de leite de Goiás planejam manifestação
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