Produtores de leite da Bahia querem apoio do governo

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Na Bahia, a Câmara Consultiva do Leite, criada em julho do ano passado pelo governo do Estado para arbitrar conflitos e desenvolver políticas para o setor, já começou suas reuniões. Os produtores reivindicam uma intervenção estatal mais efetiva, por exemplo, no financiamento a novas cooperativas, para forçar a profissionalização do sistema. Também articulam com a União dos Municípios da Bahia (UPB) o cumprimento de Portaria baixada pelo Ministério da Agricultura, que obriga a comercialização exclusiva de leite processado.

Além da câmara do leite, o governo baiano dispõe de outro instrumento voltado para o setor, que é o Programa de Recuperação da Pecuária Leiteira (Proleite), criado pela Secretaria da Agricultura durante a grande seca do início da década de 90, quando quase metade do plantel leiteiro baiano foi dizimado. A estiagem reduziu, entre 1993 e 1999, o rebanho dos então 12 milhões de cabeças para 7,5 milhões. “Hoje, graças a esse programa, a Bahia já alcançou as nove milhões de cabeças”, comemora o diretor de Desenvolvimento da Pecuária, da Secretaria da Agricultura, Luís Hage.

A produção de leite na Bahia é marcada pela atividade safrista, feita por uma maioria de pequenos criadores de rebanho de corte, que aproveitam determinados períodos das estações climáticas para negociar com o leite. O nível de atividade industrial e de processamento do leite no Estado compõe fator de desestabilização do mercado. Dos 2,3 milhões litros de leite diários que a Bahia produz, apenas 600 mil litros são processados por todas as 16 indústrias instaladas no Estado. O excedente de 1,6 milhão é vendido in natura. Segundo dados da Secretaria de Agricultura 46% desse leite não processado têm procedência “clandestina”.

A situação, segundo a visão de especialistas e produtores, só será resolvida com iniciativas que englobem todos os setores que fazem parte desse ramo da economia. Em Itapetinga, no sudoeste baiano, a agência local do Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae) vai desenvolver um programa-piloto chamado “Modernização da Cadeia Produtiva do Leite”.

Onze produtores vão pagar R$ 110 cada um para que 12 técnicos coordenados pelo Sebrae ajudem a implantar em suas propriedades um sistema integrado de atividades empresariais que envolve a produção não apenas de leite e de bezerros, como também de gado de corte.

Preços baixos

O litro do leite longa vida pode chegar a até R$ 2, no comércio, a depender do diferencial embutido no preço. O produtor que forneceu a matéria-prima deste leite, na Bahia, pode ter recebido pelo mesmo litro R$ 0,20 e R$ 0,26. Isso se justifica pelos efeitos de uma outra característica de mercado, a existência de setores oligopolizados na economia.

Embora não possa ser culpada sozinha pelo excesso do produto no mercado, a Nestlé é apontada pelos produtores como o principal vetor de desequilíbrio entre oferta e procura. No País todo, a indústria suíça deixou de comprar um milhão de litros de leite por dia. Na Bahia os 400 mil litros diários que a empresa processava diariamente em sua fábrica, em Itabuna, foram reduzidos a 180 mil.

Fatores econômicos e conjunturais mais recentes, como a crise de energia, também comprimiram a demanda do mercado de leite na Bahia, contribuindo para o excessivo aumento de oferta. Essa contingência é a desculpa, usada pelas indústrias, para minimizar a redução das compras junto aos produtores.

Fonte: A Tarde/ BA (por Nilton Nascimento), adaptado por Equipe MilkPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no MilkPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?