Produtores de leite da Argentina fecham acordo com setor industrial

Publicado por: MilkPoint

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Os produtores de leite da Argentina puseram fim ao bloqueio das indústrias lácteas após firmarem um acordo com o setor industrial na cidade de Villa María. Na manhã de sábado (dia nove), os dirigentes do movimento deram um sinal de conciliação ao permitir que os produtores "flexibilizassem" o duro controle que, desde domingo (dia três), exerceram sobre as fábricas processadoras.

Às 16 horas de sábado, dirigentes do movimento informaram que tinha sido comunicado aos produtores de leite que participavam do protesto que deixassem seus postos porque tinha sido assinado um acordo, que contou com a participação do ministro da Produção de Córdoba, Juan Schiaretti, que mediou as negociações.

"Garantiram a nós o preço de 20 centavos o litro (US$ 0,09) segundo parâmetros de qualidade, um auxílio do Estado da Província e um compromisso de que os supermercados alterarão o preço do produto em 1 ou 2 centavos. Com isso, acreditamos que chegaríamos a um princípio de recomposição do preço", indicou o representante do grupo Produtores Autoconvocados - um dos setores de posição mais rígida do protesto - , que participou da Ata de Villa María, Osvaldo Abrigo.

Com relação ao acordo sobre o preço de comercialização do produto no varejo, Schiaretti disse que o setor varejista participará na solução alcançada "abrindo mão de parte de sua margem para que haja um preço justo ao produtor de leite". O ministro disse contar com uma promessa de um centavo, neste sentido, feita por algumas redes varejistas de Córdoba. Porém, os hipermercados Carrefour, Wal Mart e Libertad não tinham se manifestado.

Além da fixação do preço, a Ata de Villa María inclui:

· O governo contribuirá com um crédito de 5 milhões de pesos (US$ 2,25 milhões) para financiar a redução dos prazos de pagamento dos meses pendentes de liquidação por parte das empresas;

· Será disponibilizada uma linha de crédito de evolução a taxa zero para produtores, equivalente a 2 centavos (US$ 0,01) por litro, cuja garantia será posta pelo Fundo Agropecuário Provincial;

· As autoridades locais negociarão junto ao Executivo nacional que as retenções às exportações agropecuárias destinem-se a um fundo que permita "cobrir os 2 centavos do preço do leite";

· Na última semana de cada mês, as partes fixarão o preço do mês seguinte;

Setor quer preço internacional para leite argentino

Superado o conflito de cinco dias durante os quais os produtores de leite bloquearam a saída de produtos processados pelas usinas, a mesa de Concertación de Lechería, irá se reunir para definir um cenário de referência "que permita estabelecer um caminho para obter, no segundo semestre do ano, a internacionalização do preço do leite argentino", afirmou o secretário da Agricultura de Santa Fé, Miguel Paulón.

"O que estamos buscando é que, assim como outras produções agropecuárias, o leite possa encontrar um preço de referência internacional". Para Paulón, o acordo que os produtores das províncias leiteiras - Buenos Aires, Santa Fé e Córdoba - fecharam "foi fundamental para superar o conflito que podia ter sido prolongado, complicando não somente o setor, mas também, os consumidores".

Paulón, que até o mês passado era ministro de Produção de Santa Fé, onde se situa a bacia leiteira mais importante da América Latina, considerou "lógico" que, diante de uma mudança do cenário econômico, seja "repensado o modelo de produção leiteira argentino". Paulón disse que, no momento, a atividade exportadora é uma variável que deve ser incorporada ao negócio do setor. Por isso, não se pode pensar na produção leiteira unicamente no mercado interno.

Por outro lado, Paulón disse que, superado o conflito, "devemos definir um cenário que permita pôr um fim ao mesmo e criar um modelo viável para que o leite cru possa chegar a preços internacionais".

O protesto

O conflito no setor leiteiro da Argentina que se desencadeou há duas semanas - ainda que este já venha se arrastando há quatro anos - compreendeu todas as províncias e regiões produtoras de leite. Os produtores reivindicavam um preço de 21 centavos (US$ 0,095) por litro de leite entregue em fevereiro e 24 centavos (US$ 0,11) a partir de março. Segundo as entidades do campo, os preços que as indústrias estão pagando - entre 9 e 14 centavos (US$ 0,04 e US$ 0,06) - estão levando ao desaparecimento da atividade leiteira no país.

Por isso, todos os produtores de leite do país foram convocados para bloquear a saída de produtos das usinas leiteiras. Os produtores decidiram distribuir o leite à população, ao invés de jogá-lo fora, o que gerou o apoio de boa parte da comunidade. Segundo fontes do setor, essa foi a primeira vez na história que os produtores de leite se uniram - existem muitas organizações sindicais do setor - para reivindicar um preço maior de sua produção.

A produção de leite na Argentina, diferentemente de outras atividades agropecuárias, possui uma função social. Em cada estabelecimento trabalham diariamente várias famílias.

Fonte: La Nación (por Juan Carlos Vaca e José E. Bordón), adaptado por Equipe MilkPoint
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