Produtores da Argentina ameaçam tomar medidas de força devido à queda no preço do leite

Publicado por: MilkPoint

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Os produtores de leite da Argentina estão ameaçando bloquear a saída de caminhões das fábricas e até distribuir a produção de leite se o Comitê Federal de Leiteria não conseguir resolver as diferenças apresentadas em matéria de preços entre produtores e indústrias leiteiras do país. O Comitê se reuniria na segunda-feira, primeiro de setembro, para tentar resolver esta questão.

Fazem parte do Comitê a Secretaria de Agricultura, Pecuária, Pesca e Alimentação (SAGPyA) do país, bem como representantes governamentais das províncias de Santa Fe, Córdoba, Buenos Aires, La Pampa e Entre Rios. A reunião desta semana tem caráter de urgência depois do fracasso da reunião de sexta-feira passada, quando houve nova tentativa para conciliar posições entre produtores e indústrias.

Os representantes da produção leiteira disseram que, caso não consigam uma proposta satisfatória, adotarão medidas de força "contundentes, mas não violentas", segundo o presidente da Federação de Centros Leiteiros (Fecet), Gustavo Colombero.

Os produtores marcaram de se reunir nesta semana, em São Francisco (Córdoba) para decidir o caminho a seguir, mas as medidas seriam similares às que levaram adiante em março passado: bloqueio da saída de caminhões das fábricas de processamento industrial e não descartaram a possibilidade de chegar a entregar leite a pessoas carentes como mecanismo de protesto.

Desta forma, a postura dos produtores de leite significará um enrijecimento das medidas de força que os produtores argentinos vinham realizando até agora em sinal de protesto contra a redução no preço que a indústria paga pela matéria-prima, que consistia em assembléias e manifestações em fábricas.

A disputa em torno do preço do leite ao produtor piora no início da temporada primavera-verão, quando a produção de lácteos aumenta por razões estacionais, e as indústrias resistem em pagar os "excedentes" com o mesmo preço que pagam pelo produto durante o inverno.

Uma das empresas que baixou o preço do leite ao produtor foi a Williner, de Rafaela, que rebaixou em 8% o preço, passando de 50 a 46 centavos de pesos (17,06 a 15,69 centavos de dólar) o preço pago pelo litro de leite ao produtor. O presidente da empresa - que com suas fábricas de Rafaela e Las Taperitas demanda 180 mil litros diários de leite -, Alfredo Curiotti, disse que o leite continuará baixando em agosto. Segundo ele, para os produtores a atividade "seguirá sendo rentável ainda a 41 centavos de peso (13,99 centavos de dólar) por litro".

No entanto, os produtores asseguram que por menos de 50 centavos (17,06 centavos de dólar) o litro a atividade não é rentável, e advertem que a deterioração da situação acentuará o desaparecimento de produtores de leite e a queda da produção nacional, que passou de 10,5 bilhões de litros em 1999 para 6,5 bilhões atualmente.

A indústria versus os supermercados

A Direção da Indústria Alimentícia da Secretaria de Agricultura da Argentina informou que a produção de leite de julho passado foi de 360,5 milhões de litros, o que representou uma queda de 7% com relação aos 391 milhões produzidos no mesmo mês de 2002.

As indústrias asseguram que também são vítimas das ações arbitrárias dos grandes supermercados que lhes impõem preços e prazos de pagamentos de alto custo financeiro. Frente a esta argumentação, os produtores replicam que os comerciantes, formadores de preço final com que os lácteos chegam às gôndolas, devem sentar-se à mesa de negociação.

No entanto, apesar de o Comitê Federal de Leiteria ter sido criado para "harmonizar os interesses da cadeia produtiva" integrada pelos produtores, indústrias e comerciantes, o poder político representado pelos funcionários nacionais e provinciais que participa dos encontros, até agora, foi insuficiente para vencer a negativa dos supermercados a participar das discussões e, esta é, na opinião dos produtores, uma das razões de seus fracassos.

Em 02/09/03 - 1 Peso Argentino = US$ 0,34130
2,93000 Peso Argentino = US$ 1 (Fonte: Oanda.com)

Fonte: La Capital
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