Pelo menos 10% de toda a produção de leite de Alagoas pode deixar o Estado para ser industrializada no Rio Grande do Norte. Os produtores alagoanos não conseguiram chegar, ontem (29), a um acordo sobre o preço da matéria-prima com as indústrias e ameaçam vender parte da produção local para outros Estados.
Os sindicatos dos produtores (Sindileite) e das indústrias (Sileal) discutiram a política de preços do setor. Atualmente, o preço básico do litro de leite para o produtor está fixado em R$ 0,36. "Estamos há mais de três meses sem reajuste. Enquanto isto, o saco de soja aumentou de R$ 27 para R$ 35. O saco de milho, que custava R$ 14, está custando R$ 21. Os medicamentos veterinários, cujos preços também são dolarizados, tiveram aumento. Não podemos ficar com os preços congelados", reclama o presidente do Sindileite, Ricardo Barbosa.
Ele argumenta, ainda, que faz 90 dias que as indústrias aumentaram em 40% o preço do leite longa vida para o consumidor, nos supermercados. "As indústrias repassam o leite a R$ 0,70 e hoje estão repassando a R$ 0,98. O consumidor pagava R$ 1,00 e hoje paga R$ 1,50 pelo litro de leite. Os preços foram reajustados em toda a cadeia do leite, menos para o produtor", afirma.
Segundo levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Faeal), os produtores estão dispostos a reduzir a produção ou a vender a matéria-prima para outros Estados. "Estivemos recentemente no Rio Grande do Norte conhecendo o setor leiteiro potiguar. Voltamos de lá com uma proposta para fornecer pelo menos 40 mil litros de leite. É claro que esta não é a melhor solução, pois pode criar problemas de desabastecimento para a indústria local", explicou o presidente da Faeal, Álvaro Almeida.
Hoje, o Sindileite deve receber uma proposta oficial da Cooperativa dos Produtores de Leite do Rio Grande do Norte, cuja fábrica está instalada no município de Currais Novos. A expectativa é que a cooperativa ofereça um preço básico acima de R$ 0,40. "Enquanto o produtor alagoano está recebendo R$ 0,36, no Rio Grande do Norte as indústrias pagam R$ 0,45. E lá existe uma procura crescente pela matéria-prima, principalmente porque já foi iniciado o período seco naquele Estado", explicou Almeida.
A distância entre os dois estados não é problema, adianta Barbosa. "Como a produção lá não é suficiente para atender à demanda, as indústrias potiguares estão buscando leite em locais com distância de até 600 quilômetros. É a mesma de Alagoas", esclareceu.
O Sindileite afirma que vai esperar mais uma semana, prazo pedido pelo Sileal, para dar resposta à cooperativa do Rio Grande do Norte. "Se a resposta for negativa, vamos tirar mais uma fatia de matéria-prima das indústrias de laticínios do Estado", enfatizou.
Fonte: Gazeta de Alagoas, adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores alagoanos podem vender leite para indústria do RN
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