Milhares de produtores rurais do Sertão, Agreste e Baixo São Francisco bloquearam, ontem pela manhã, por mais de três horas, o trecho da Rodovia BR-101, no município de Porto Real do Colégio, na divisa de Alagoas com Sergipe. Segundo os organizadores, o protesto teve como finalidade denunciar a "extorsiva política de juros" praticada pelas instituições financeiras contra os produtores de todo o Estado.
Eles exigiram do governo federal a imediata anistia dos empréstimos considerados "impagáveis" e que são responsáveis, segundo o produtor Manoel Viana, pela falência de regiões como a Bacia Leiteira de Alagoas. Os manifestantes reivindicaram também a anistia da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de todos os investimentos agropecuários de Alagoas, suspensão de todos os protestos e execuções de propriedades rurais, liberação de recursos para produtores e prorrogação das contas para 25 anos com dois de carência.
"Também queremos a liberação de recursos para o preparo do solo e compra de insumos com até 60 dias de antecedência em relação ao momento do plantio de culturas variadas. Isso porque a demora na liberação de recursos prejudica e muito o agricultor endividado", frisou o presidente da Associação dos Agricultores da Região Fumageira (Agrifuma), Francisco de Souza Irmão, o Chico da Capial.
Organizado pela Agrifuma e Movimento Nacional dos Com Terra (MCT), o protesto na divisa de Alagoas com Sergipe reuniu prefeitos e lideranças políticas alagoanas, como os deputados Régis Cavalcante, Petrúcio Bandeira, Paulão e Paulo Nunes. "Queremos mostrar a força do homem do campo e denunciar ainda o desrespeito das instituições financeiras oficiais para com os pequenos produtores, hoje, vítimas de uma política de juros abusiva e que transforma financiamentos em dívidas impagáveis", denunciou o produtor.
"A população precisa tomar conhecimento de que os pequenos produtores do alimento do Nordeste devem mais de R$ 4 bilhões a instituições como Banco do Brasil e Banco do Nordeste", revelou Viana. Ele afirmou ainda que as instituições financeiras inviabilizam a vida dos pequenos produtores ao exigir deles, dentre outras coisas, a contratação de seguro de vida no ato da assinatura para liberação de financiamento bancário.
"As dívidas bancárias inviabilizam a produção de Alagoas de tal maneira que a Bacia Leiteira, por exemplo, está com sua produção leiteira inferior a 200 mil litros, quando já chegou a produzir a cada dia mais de 600 mil litros", ressaltou Viana.
Leite grátis
Ao final do protesto, os organizadores distribuíram mais de 10 mil litros de leite, como forma de denunciar o baixo preço do produto, cujo litro custa em média R$ 0,29.
Fonte: Gazeta de Alagoas (por Maikel Marques), adaptado por Equipe MilkPoint
Produtores alagoanos bloqueiam rodovia para denunciar política de juros
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