O produtor de leite Mário Paulo da Silva, proprietário de um rebanho de 150 matrizes com capacidade para produzir 1.100 litros por dia, teme fechar outubro no vermelho. A situação vivida pelo empresário é a mesma dos demais criadores de gado leiteiro do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, que estão sendo obrigados a vender o produto com redução média de 8% no preço.
Neste mês, os pecuaristas da região receberam das indústrias de beneficiamento cerca de R$ 0,04 a menos por litro do que em setembro e agosto. A diferença, aparentemente pequena, representa muito quando multiplicada por quantidades quase sempre superiores a 700 litros diários. "Nestes centavos, geralmente, estão os ganhos dos produtores", enfatizou Silva.
Em setembro, alguns produtores chegaram a vender o litro do produto por aproximadamente R$ 0,61. Esta média de preço, entretanto, pode ser mais alta ou mais baixa de acordo com a produção.
De acordo com os produtores, as indústrias argumentam que a redução se deve à queda do custo de produção, em função do período chuvoso, e à redução do consumo de leite e derivados. Os criadores, entretanto, rebatem as afirmações e alegam que o gado ainda está sendo alimentado por silagem ou ração.
No caso de Silva, os impactos da seca foram tão fortes que o rebanho teve produção reduzida de 1.500 litros/dia para 1.100. O empresário afirmou que o preço da ração subiu e, mesmo assim, passou a receber menos pelo produto.
A situação não é muito diferente para Jerônimo Gomes Ferreira. Na propriedade de 90 hectares, ele cria 100 matrizes, responsáveis por uma produção diária de 700 litros. De acordo com ele, o preço do quilo da ração há alguns meses era inferior ao valor recebido pelo litro de leite. Atualmente, o quilo do insumo não é encontrado por menos de R$ 0,55. "Isso é um absurdo, pois o valor da ração costumava ser de 30% a 40% menor que o do litro de leite", comparou. Além de terem de arcar com o aumento dos custos de produção, os produtores afirmam estar reféns dos lobbies da indústria.
"Todas as companhias diminuíram os preços ao mesmo tempo. Acho que isso pode denotar até mesmo a prática de cartel", ponderou Silva.
Negociação
Representantes da área e cooperativas marcaram uma reunião no Sindicato Rural de Uberlândia para debater o problema. A proposta, de acordo com o presidente da Associação dos Produtores Profissionais do Triângulo Mineiro (Approleit), Júlio César Pereira, era expor a situação a todos os pontos da cadeia produtiva. "Mesmo se o encontro não contar com a participação de representantes das indústrias vamos até eles expor nossa situação". Segundo ele, a reunião visa à avaliação da relação de força estabelecida entre os produtores e as empresas beneficiadoras da matéria-prima.
De acordo com dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), o Estado é o maior produtor de leite do País, com seis bilhões de litros em 2002. O Brasil deve fechar o ano com um aumento de 4% na produção de 2003 em relação à do ano passado, calculada em 20,4 bilhões de litros.
Conforme o diretor da comissão técnica de leite da Faemg, Eduardo Dessimoni Teixeira, o Estado também deverá fechar o ano com o mesmo patamar nacional de crescimento. "O Estado de Goiás, segundo lugar no ranking nacional, possui uma produção duas vezes menor que a de Minas Gerais", comparou. Segundo pontuou o especialista, o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba formam a principal região produtora do Estado, com aproximadamente 27% de participação.
Fonte: Jornal Correio/Uberlândia (por Gustavo Moreira), adaptado por Equipe BeefPoint
Produtor recebe 8% a menos pelo leite no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
Publicado por: MilkPoint
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