Os preços dos laticínios vêm apresentando uma queda leve, mas constante, nos últimos meses, à medida que a demanda enfraquecida colide com uma produção robusta. A queda tem sido suave, mas consistente. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os preços seguem a mesma trajetória há três meses.
“Nos últimos meses, o mercado de laticínios passou por uma mudança nas tendências de produção, após um período de estagnação e demanda fraca causada pelos preços elevados”, explicam a analista de laticínios Brittany Feyh e o analista sênior de commodities Jose Saiz, da empresa de inteligência de mercado Expana.
“Essa mudança foi impulsionada pelo aumento da produção de leite nas principais regiões exportadoras — incluindo Estados Unidos, União Europeia (UE-27), Reino Unido, Nova Zelândia e América do Sul —, resultando em um desequilíbrio entre oferta e demanda.”
Nos Estados Unidos, o rebanho nacional atingiu o maior tamanho desde meados da década de 1990. Os produtores norte-americanos aumentaram o teor de gordura do leite para níveis que o setor de queijos não consegue absorver, levando à queda nos preços da nata e da gordura láctea.
“Os Estados Unidos continuam conquistando maior participação no mercado global, impulsionados por preços competitivos.” Segundo Saiz e Feyh, a demanda do consumidor não é um fator tão determinante quanto a alta produção.
Além disso, a baixa competitividade dos produtos lácteos europeus no mercado internacional também contribuiu para a queda.
Apesar de todos esses fatores, os preços dos laticínios continuam altos em comparação com 2024 — cerca de 9% acima do nível registrado no mesmo período do ano passado, segundo a FAO.
Essa época do ano geralmente traz mais oferta e menos demanda, explica o porta-voz da FAO. A produção de leite no Hemisfério Sul é impulsionada pelas temperaturas mais quentes, enquanto o clima mais frio no Hemisfério Norte também favorece a produção. Ao mesmo tempo, a demanda por alimentos como sorvetes costuma cair com o fim do verão.
Quais segmentos lácteos caíram mais?
Os preços variaram entre os diferentes produtos lácteos. O preço da manteiga caiu 7% neste mês, devido à menor disponibilidade de nata com a queda na demanda por sorvete no Hemisfério Norte. Por outro lado, a oferta deve aumentar com as altas expectativas de produção na Nova Zelândia.
Os preços do leite em pó desnatado caíram 4,3% e os do leite em pó integral 3,1%, devido à demanda mais fraca.
O queijo permaneceu relativamente estável, com leve queda. Segundo a empresa de análise Vespertool, há alta oferta e baixa demanda: “Há poucos compradores no mercado, enquanto quase todos os fornecedores têm queijo para vender”, disse em um relatório.
A demanda por soro de leite está um pouco mais alta, mas os preços ainda caíram. De acordo com a Vespertool, os mercados de queijo e soro seguem em tendência de baixa no curto prazo.
Enquanto isso, os preços dos produtos lácteos ricos em proteína permanecem firmes, explicam Feyh e Saiz, da Expana, devido à forte demanda por alimentos com alta densidade proteica — especialmente para fortificação e nutrição esportiva.
As informações são do Dairy Reporter.