Produção leiteira tem potencial para ampliar resultados na redução de metano

Na COP30, Danone e Nestlé mostram ao mundo como o leite brasileiro está reduzindo o metano. Confira!

Publicado por: MilkPoint

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A COP30 em Belém foi o palco para Danone e Nestlé apresentarem resultados de programas de redução de metano em fazendas de leite. A Danone, com o programa Jornada Flora, reduziu em 42% as emissões de metano e em 47% as de carbono, aumentando a renda e produtividade das fazendas. A Nestlé, por meio do programa Nature por Ninho, também promove práticas sustentáveis, com bonificações para produtores. Ambas as empresas investem em crédito facilitado para os agricultores e destacam resultados positivos em eficiência econômica e ambiental.

A COP30, realizada neste mês em Belém (PA), foi escolhida por Danone e Nestlé no Brasil como palco para apresentar ao mundo os resultados alcançados com seus programas de redução de metano (CH4) em fazendas fornecedoras de leite.

Nos últimos cinco anos, o Jornada Flora, programa da Danone Brasil que incentiva práticas regenerativas nas propriedades leiteiras, registrou uma redução de 42% no fator de emissão de metano entérico por litro de leite produzido. O gás, gerado no rúmen de animais ruminantes durante a fermentação microbiana dos carboidratos, possui potencial de aquecimento global cerca de 30 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO²).

Entre 2020 e 2024, o programa também reduziu em 47% o fator de emissão de carbono na produção da matéria-prima da empresa. Mudanças na nutrição, com dietas mais equilibradas e de alta qualidade, e melhorias nos centros de ordenha e demais instalações, proporcionando maior conforto e bem-estar ao rebanho, refletiram não apenas em ganhos ambientais, mas também econômicos. Nesse período, as fazendas participantes registraram aumento de 22% na renda real, crescimento de 59% na margem líquida, alta de 15% na produtividade por vaca e crescimento médio de 26% na produção diária.

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Para o pesquisador em nutrição animal da Embrapa Gado de Leite, Thierry Ribeiro Tomich, a eficiência técnica e alimentar alcançada com a redução da pegada de carbono é também lucrativa para o produtor brasileiro, que enfrenta um mercado desafiador. “No Brasil, gasta-se muita terra, gasta-se muito alimento, gasta-se muita vaca para produzir pouco leite.”

Figura 1

De acordo com Tomich, nos projetos de redução de gases de efeito estufa (GEE) acompanhados pela Embrapa, sistemas mais avançados já alcançam lucro líquido de R$ 0,80 por litro de leite, enquanto aqueles em estágio inicial do uso das práticas sustentáveis registram cerca de R$ 0,20“A eficiência técnica é muito bem acompanhada pela eficiência econômica”, diz Tomich. Com pesquisas na área há mais de duas décadas, a Embrapa dá suporte aos programas de descarbonização de várias empresas, entre elas Danone, Nestlé, Lactalis e Sooro Renner.

Participante do Jornada Flora desde 2020, a Fazenda Cachoeira das Antas, em Santa Rita de Caldas (MG), é um exemplo dos resultados obtidos. Nos últimos 12 meses, recebeu média de R$ 3,09 por litro de leite, valor entre 13% e 14% superior à média regional, segundo o proprietário Áureo Cássio de Carvalho.

“Quando ingressamos no Jornada Flora, tínhamos uma produção diária de 220 litros e hoje de 2.200 litros por dia”, relata o proprietário Áureo Cássio de Carvalho, que também adota práticas como o plantio direto e o uso de esterco animal para adubação das lavouras.

Segundo Mário Resende, vice-presidente de Operações e Sustentabilidade da Danone Brasil, o programa teve início com apenas uma fazenda e hoje já envolve 150 propriedades. “A grande sacada que a gente vai apresentar lá [na COP30] é como uma indústria láctea consegue escalar isso em seu universo de produtores”, explica o executivo, destacando que o processo começa com um trabalho de convencimento e engajamento dos pecuaristas. Atualmente, 20% do leite fresco utilizado pela Danone na fabricação de seus produtos já é classificado como de baixo carbono. 

Na Nestlé, o leite fresco responde pela metade dos 70% das emissões totais de GEE oriundas da produção rural de suas matérias-primas. Para reverter esse quadro, a empresa criou o programa Nature por Ninho, que vem se fortalecendo nos últimos anos com a adoção de práticas regenerativas, manejo adequado dos dejetos e ações de descarbonização da atividade leiteira.

Os produtores participantes do Nature por Ninho recebem bonificações progressivas conforme o nível de práticas sustentáveis adotadas, classificados em bronze, prata, ouro ou diamante“Quando comparadas às fazendas que não seguem práticas regenerativas, as de nível ouro, por exemplo, atingem 47% mais produtividade por vaca e produzem alimento com custo de produção 8% menor”, afirma a chefe de agricultura regenerativa da Nestlé Brasil, Barbara Sollero.

Na categoria ouro, mais de 240 fazendas foram responsáveis, na safra 2024/2025, por uma redução de 39% na pegada de carbono. “Outro grande resultado é que mais de 39 mil vacas vivem em estábulos ventilados e climatizados e, ao menos 8 mil, utilizam colares de monitoramento com inteligência artificial”, diz Sollero.

A Nestlé planeja investir cerca de R$ 150 milhões até 2027 em projetos de sustentabilidade voltados à cadeia leiteira no Brasil. Apesar das ações, a empresa anunciou sua saída da Dairy Methane Action Alliance, aliança global criada em 2023 para redução do metano, sem detalhar os motivos.

Tanto Nestlé quanto Danone mantêm parcerias com o Banco do Brasil para oferecer crédito facilitado aos produtores de leite. Nos últimos três anos, foram concedidos R$ 175 milhões a 158 fazendas das 230 fornecedoras da Danone. Para a safra 2026/2027, está prevista a renovação de R$ 100 milhões em crédito rural sustentável.


As informações são do Valor Econômico.

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