Nos últimos sete dias, a influência de uma nova massa de ar quente voltou a elevar as temperaturas no Rio Grande do Sul, enquanto as chuvas retornaram em volumes moderados.
Hoje (28/02), a aproximação de uma frente fria sobre o oceano, em interação com a massa de ar quente presente no Estado, poderá provocar novos acumulados de chuva, que devem se estender ao longo do sábado (01/03) e do domingo (02/03).
Produção de leite
Apesar da melhora no desenvolvimento recente das forrageiras, a produção leiteira está em declínio, em função da antecipação do período de transição entre forrageiras de verão e inverno (vazio outonal) e ao estresse térmico dos animais causado por altas temperaturas, diminuindo o consumo de alimentos e, consequentemente, a produção.
Milho Silagem
A colheita do milho para silagem avançou, atingindo 72%. A produtividade é considerada satisfatória, próxima à previsão inicial. Restam as lavouras em maturidade fisiológica e aptas para o corte (7%). Estão 6% em enchimento de grãos; 3% em floração; e 12% em desenvolvimento vegetativo, incluindo os plantios recentes de safrinha.
Pastagens
As chuvas recentes favoreceram a recuperação e o crescimento das pastagens, proporcionando um rebrote vigoroso e melhorando a oferta de forragem para os rebanhos. Apesar disso, ainda há restrições devido à falta de água e às condições extremas de temperatura e umidade. Os produtores já começaram a planejar o plantio de forrageiras de inverno, mas os custos elevados de sementes e insumos continuam sendo uma preocupação.
Grãos
A colheita de milho avançou, atingindo 64% da área cultivada. A produtividade se mantém satisfatória, apesar da insuficiência de chuvas em etapas intermediárias do ciclo. Os efeitos da restrição hídrica, ocorrida em janeiro e fevereiro, tendem a se manifestar com maior intensidade em cultivos semeados em novembro e meados de dezembro, os quais estão em fase de floração e enchimento de grãos (14% da área total).
Os cultivos de soja estão avançando para as fases finais do ciclo fenológico, e em algumas áreas foi iniciada a colheita. Predomina o estágio de enchimento de grãos (56%); 12% das lavouras estão em maturação; e menos de 1% foi colhido. A produtividade inicial está menor que a projetada.
Situação em Santa Catarina
Santa Catarina enfrenta uma nova onda de calor até março, impactando a pecuária de leite devido ao estresse térmico nos animais, que reduz o apetite e a produção. Em Itapiranga, região de temperaturas elevadas, o produtor Cristian Luis Schwengber adota estratégias para minimizar esses efeitos em seu rebanho de 170 vacas.
Uma das principais medidas foi construir o galpão em uma área elevada, onde a temperatura é naturalmente mais baixa. Além disso, implementou o sistema compost barn, garantindo mais espaço e ventilação para os animais. O telhado conta com três camadas e lanternins, que facilitam a saída do ar quente.
Para reforçar o conforto térmico, a propriedade dispõe de ventiladores que funcionam 24 horas, exceto quando a temperatura cai abaixo de 13?°C, e um sistema de aspersão de água acionado automaticamente quando ultrapassa 23?°C. Colares inteligentes monitoram a temperatura corporal das vacas, permitindo ajustes no manejo para reduzir o estresse térmico.
A alimentação também é adaptada para minimizar a produção interna de calor. Essas estratégias garantem maior bem-estar e produtividade, já que vacas em ambientes mais frescos produzem mais leite. Estudos indicam que, para cada 100 metros de altitude, a produção pode aumentar até um litro por vaca.
Referências bibliográficas
As informações são do Informativo Conjuntural da Emater/RS e nd+, adaptadas pela equipe MilkPoint.