Produção de leite no Pará caiu em 2001

Publicado por: MilkPoint

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A precariedade das estradas do sul e sudeste do Pará, devido às chuvas, e a falta de energia elétrica, ainda um problema em localidades mais distantes, foram fatores decisivos para a queda da produção de leite registrada no ano passado. Em novembro de 2000, época da safra, o volume produzido no Estado foi de um milhão de litros ao dia, ante os 650 mil litros diários, do mesmo período de 2001, de acordo com informações do presidente da Associação das Indústrias de Laticínios do Estado do Pará (Assilpa), Jorge Luiz da Rocha. “A produção não caiu mais porque o governo do estado reduziu a alíquota do ICMS. Mas, de um modo geral, 2001 foi um ano atípico para o setor em todo o País. Diferentemente do que ocorreu aqui, houve excesso de produção no Brasil e redução do consumo”, afirma.

Segundo o presidente da Assilpa, a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), referente à pecuária leiteira caiu de 12% para 4% para transações interestaduais e de 17% para 4% para as estaduais. Com essa redução os produtores do Estado conseguiram oferecer o mesmo preço praticado na região Sudeste: R$ 0,23 o litro vendido na fábrica. “Há dois ou três anos, os produtores paraenses estavam sufocados, por conta da alíquota do ICMS. Mas agora acredito ser possível dizer que o Pará terá no futuro uma bacia leiteira importante no contexto nacional”, diz.

No ano passado, os produtores de leite e derivados fizeram uma parceria com o Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas/Pará (Sebrae/Pa) para aumentar a produtividade e incrementar a verticalização do produto. A Assilpa destaca três projetos criados com a aliança: o desenvolvimento do site da associação, a implantação da gestão estratégica de custos e a racionalização da coleta de leite.

A divulgação pela internet das ações dos produtores está possibilitando a evolução da relação entre o mercado fornecedor e os clientes. Ao passo que a gestão de custos revolucionou as fábricas, que agora têm condições de identificar pontos de ineficiência a tempo de reduzir as perdas. Já o projeto de racionalização da captação de leite tem sido fundamental para a redução de custos e melhor desempenho da coleta.

Rocha está buscando na sua empresa, a Laticínios Carioca, a diversificação da produção. Este ano, a fábrica começa a produzir bebidas lácteas, como leite com frutas e um produto cítrico energético. Outro projeto que está em fase de planejamento é a implantação de uma fábrica de leite em pó, em Marabá ou Xinguara, municípios do sudeste do Pará, em parceria com o governo do estado.

O Pará conta com cerca de 16 indústrias produtoras de leite funcionando legalmente, mas o presidente da Assilpa diz que 40% da produção paraense de leite está nas mãos dos produtores clandestinos, que jogam o preço para baixo, prejudicando o setor. “Precisamos ter crédito mais fácil no Basa, com menos burocracia, para compra de gado leiteiro”, argumenta.

José Maria Trindade, chefe do Departamento de Crédito Rural do Banco da Amazônia (Basa), afirma que se não fosse o Fundo Constitucional do Norte (FNO), fundo de investimento administrado pelo banco, não existiria hoje, no estado, uma base leiteira estruturada. “Desde a criação do FNO, em 1989, o Basa vem estimulando e viabilizando as indústrias de laticínios, por meio dos micros e pequenos produtores”, afirma Trindade, destacando que não há burocracia, como diz o presidente da Assilpa.

Segundo Trindade, para o produtor conseguir recurso basta fazer parte de uma associação ou cooperativa de produtores, apresentar a carteira de identidade e o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e preencher um cadastro. “Em média, a contratação do crédito sai em 30 dias”, garante.

Desde a implementação do FNO até 31 de dezembro de 2001, o Basa financiou para os micro e pequenos produtores do Pará a compra de 23.789 bovinos de leite, o correspondente a R$ 47,1 milhões. “O grande produtor prefere a pecuária de corte, considerada mais nobre e com maior valor agregado”, comenta.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Renata Ferreira), adaptado por Equipe MilkPoint
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