Para Marcelo Pereira de Carvalho, coordenador do levantamento da consultoria, o que explica o forte crescimento em 2017 é que, de fato, essas propriedades acabam tendo "uma situação de mercado diferente" da vivida pelo produtor médio.
Por terem escala e melhor estrutura de produção, afirma, elas obtêm preços de venda mais altos, ao redor de 30% acima da média de mercado. Assim, numa situação em que o volume é importante, o laticínio não pode prescindir do grande produtor e paga mais para garantir a matéria-prima, diz. "Isso explica por que esses produtores continuam com projetos de expansão".
Além disso, são produtores com projetos de mais longo prazo, que investem em tecnologia para ampliar a produtividade dos animais, acrescenta, destacando a profissionalização pela qual passa o segmento.
Por isso o desempenho é bem superior ao registrado na produção brasileira de leite em geral. Conforme informou o IBGE ontem, a produção brasileira total cresceu 4,1% em 2017, para 24,12 bilhões de litros. Apesar de crescente, a produção somada dos 100 maiores representa apenas 2,7% do total nacional.
Para realizar o levantamento, a MilkPoint obteve informações dos 100 maiores produtores de leite do Brasil sobre o desempenho de 2017, comparando-as com as do ano anterior. A Fazenda Colorado, dona da marca Xandô, segue como a primeira no ranking. Depois de elevar a produção em 4,2% em 2016, para 63.133 litros por dia, a Colorado avançou mais 7,14%, para uma produção media diária de 67.640 litros de leite.
A pesquisa mostrou pequenas alterações nas colocações entre os 10 primeiros do ranking, como a entrada de Hans Jan Groenwold, que ficou em décimo, e não estava no levantamento anterior. Isso revela, segundo o coordenador, a constância dos projetos. A pesquisa destacou que o maior crescimento absoluto em 2017 foi registrado pela Fazenda Figueiredo, de Cristalina (GO), cuja produção cresceu 66%, para 25.584 litros de leite por dia.
O ranking Top 100 registrou algumas mudanças em 2017 em relação ao ano anterior: 10 produtores deixaram de participar, cinco ficaram abaixo dos 100 maiores e 12 entraram ou retornaram à listagem.
De acordo com o levantamento, o rebanho do grupo Top 100 teve aumento relevante da produtividade em 2017. A produção média de leite por vaca em lactação nas 100 maiores subiu para 27,1 litros por dia, ante 24,5 litros no ano precedente. O número é muito superior ao rendimento médio estimado para o rebanho do Brasil como um todo. Com base em dados do IBGE relativos a 2016, a produção média estimada pela MilkPoint nesse caso é de cerca de 6,3 litros por vaca/dia.
A pesquisa mostrou ainda que o custo operacional médio entre os 100 maiores produtores de leite do país recuou no último ano, para R$ 1,02 por litro, abaixo dos R$ 1,05 de 2016 (dados já deflacionados pelo IPCA).
A despeito da menor pressão de custo, a queda dos preços do leite afetou a margem do produtor, indica o levantamento. Entre os produtores Top 100, 47% disseram que a rentabilidade ficou na média, 44% acima da média e 9%, abaixo da média. No levantamento anterior, 54% haviam relatado rentabilidade acima da média.
Diante disso, a produção por esse grupo deve aumentar num ritmo menor do que vinha crescendo, avalia Carvalho, com base nas respostas obtidas no levantamento. Questionados se pretendem expandir o rebanho nos próximos três anos, 18% disseram que não têm intenção de fazê-lo - eram 10% no levantamento anterior. Outros 41% pretendem ampliar em até 20% a produção - eram 38% um ano antes; 27% planejam ampliar de 20% a 50% (eram 35%) e 14% afirmam ter a intenção de elevar em mais de 50% (eram 17%). Um fator que contribuirá para a expansão mais modesta é o custo de produção, que deve subir este ano em decorrência de preços mais altos de soja e milho.
Os produtores também foram questionados sobre o que consideram os três maiores desafios da atividade. O mais citado foi a mão de obra (14,2% do total), seguido pelo custo de produção (13,1%) e, em terceiro lugar, sanidade (9%). No levantamento, o preço do leite aparece em quarto como maior desafio (8,2% dos pesquisados). Na pesquisa anterior, ficara em terceiro, com 10,1% das citações.
O número de propriedades entre as 100 maiores que fazem o confinamento total do gado leiteiro cresceu em 2017 e alcançou 64% - eram 54% na pesquisa anterior. Uma fatia de 14% informou utilizar sistemas de produção baseados em pastagens, enquanto 22% informaram usar sistemas mistos.
A pesquisa mostrou ainda que a raça holandesa segue predominando nas 100 maiores propriedades de leite (em 78 delas). A raça girolando é a segunda mais utilizada (30 propriedades). Entre as 100 fazendas, 25 reportaram ter mais de uma raça no rebanho.
Confira o relatório completo do Top 100 2018 aqui!
As informações são do jornal Valor Econômico.