Somente em maio, a queda na captação (volume entregue aos laticínios/cooperativas) em SP foi de 6,47% em relação a abril/03. Em MG, a captação diminuiu 4%, no RS, 5% e em GO teve um ligeiro aumento de 0,3%, para o mesmo período. Dado esse nível de oferta, a variação de preços ao produtor goiano também foi menor, de apenas 0,08%, com o leite tipo C sendo cotado a R$ 0,5015/ litro. No Rio Grande do Sul, o tipo C registrou alta de 2,4% e em Minas Gerais, maior estado produtor, os reajustes foram da ordem de 2,6%. Para o leite tipo B, o produtor mineiro teve um aumento de 2,4%, com o litro fechando junho a R$ 0,5079/ litro.
Na média das bacias pesquisadas no País, o volume captado em maio teve diminuição de 3,6% e os preços, alta também de 3,6% para o tipo C e de 3,8% para o tipo B, levando em conta as novas ponderações da pesquisa trimestral do leite do IBGE. Note que, até maio, o valor "Brasil" (conjunto das regiões pesquisadas) era determinado por média aritmética das diversas cotações e, partir de junho, passa a ter pesos ponderados por volume de produção divulgado pelo IBGE. Assim, MG participa com 34,54% do preço da média "Brasil", SP entra com 22,57%, GO, com 15,43%, RS com 14,86%, PR representa 9,95% e BA, 2,65%.
Com base nesses critérios, o preço pago ao produtor de leite tipo C, em junho, foi R$ 0,4859/ litro na média das bacias brasileiras pesquisadas pelo Cepea. Já o tipo B subiu 3,8%, sendo cotado na média de R$ 0,5225/ litro.
Em termos reais (descontando o efeito da inflação pelo IGP-DI), os preços do leite tipo C estão 4,2% superiores aos praticados em junho do ano passado. Nominalmente (sem descontar a inflação), a alta é de 32,3%.
Isso significa que o produtor está em melhores condições nos últimos 12 meses? Um bom indicador para isso são as relações de troca, isto é, com quantos litros de leite o produtor no ano passado trocava por adubo, ração, óleo diesel, sal mineral, etc..
Em junho do ano passado, o produtor necessitava de 67 litros de leite para comprar um saco de sal mineral de 30 kg; já neste ano, são necessários 58 litros para a mesma aquisição. Isso significa um ganho no poder de compra para o produtor em torno de 13%. Contudo, a relação com sal mineral é uma exceção; para a maioria dos insumos houve, na verdade, uma perda no poder de compra do produtor. No caso do arame ovalado de 1.000 m, por exemplo, a diminuição do poder de compra é de 24%; em relação à uréia, utilizada em suplementação alimentar, queda de 23%, e para a compra de um Trator 61 HP, o produto precisa de 20% a mais de leite.
Em suma, apesar dos 19 aumentos sucessivos no preço do leite ao produtor, com uma variação real de 4,24%, o produtor, em alguns casos, ainda está perdendo poder de compra, dadas as elevações em escala maior dos principais insumos da atividade.

Fonte: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - CEPEA/ USP (por Leandro Ponchio)
