O preço do litro de leite ao produtor apresentou queda entre R$ 0,01 e R$ 0,02 no mês de agosto, em algumas regiões do Brasil, incluindo Minas Gerais. No entanto, o setor está em um momento de entressafra e de queda das importações, indicativos de que a cotação do produto deveria permanecer boa.
Segundo o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Sant'anna Alvim, esse fato ocorre anualmente quando se aproxima o início da safra. "Não há motivo para baixar preços, mas, independentemente de haver leite sobrando, a indústria de laticínios, que paga o produtor, começa a reduzir".
Ele explicou que a queda nos valores pode não se concretizar na totalidade do País, porque acaba sendo um prejuízo para produtores, indústria e consumidores. "Ainda estamos na entressafra e o custo para o produtor, especialmente de insumos, é mais elevado. Baixar preços agora não é interessante e pode resultar em um desestímulo da produção que até então, tem previsão de crescimento entre 4% e 5%", observou.
Um exemplo disso está no Norte de Minas, especialmente em Montes Claros. De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Gado de Leite (ACGL), Otaviano de Souza Pires Júnior, já houve um abandono das pastagens da ordem de 50% desde o ano passado. "Os produtores de leite não têm retorno com essa política de preços e estão acabando com a criação. Dentro de cinco anos teremos um rebanho leiteiro extremamente prejudicado", avaliou, informando que o preço médio para o produtor (que produz em torno de 500 litros/dia) na região teve queda de R$ 0,01 nos meses de julho e agosto e está prevista nova redução, entre R$ 0,01 e R$ 0,02, para setembro. "É uma redução de 5% a 10% desde julho, enquanto os insumos estão aumentando entre 10% e 20%", enfatizou.
Alvim completou que as conseqüências dessa redução de preço para o leite in natura já foram medidas em 2001: no primeiro semestre daquele ano, a produção brasileira aumentou 9,6% e, como a indústria não estava preparada para essa oferta, baixou o preço do produto entre 30% e 40%. Isso desestimulou o produtor, a produção ficou escassa, obrigando a indústria a importar uma grande quantidade do produto para abastecer o mercado. "E o preço foi caro, porque teve que comprar no exterior com preços que subiram 50% no ano passado. Em maio de 2002, a tonelada de leite custava US$ 1,2 mil. No final do ano, o preço chegou a US$ 1,8 mil", lembrou.
Neste ano, as importações de leite recuaram em torno de 50%. Segundo o presidente da Comissão Técnica de Leite da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni, no primeiro semestre o País comprou US$ 60,7 milhões, contra US$ 120 milhões no mesmo período de 2002.
Fonte: Hoje em Dia/MG (por Luciana Rezende), adaptado por Equipe MilkPoint
Preço do leite ao produtor caiu em agosto
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