Desde 2009, a doutora em Biologia Celular e Molecular, Claucia de Souza, lidera pesquisas que buscam soluções sustentáveis para um dos principais resíduos da indústria de laticínios: o soro do queijo. O trabalho, desenvolvido no Tecnovates e em laboratórios de graduação e pós-graduação da Univates, tem como foco o aproveitamento dos nutrientes presentes nesse subproduto, que ainda hoje representa um desafio ambiental significativo.
“Para cada quilo de queijo produzido, são necessários dez litros de leite, e cerca de nove litros de soro são gerados”, explica Claucia. “É realmente um problema ambiental. Imagine a quantidade de soro que precisa ser tratada na região?”, questiona. A substância, apesar de rica em matéria orgânica e nutrientes, pode causar desequilíbrios em corpos d’água se descartada de forma inadequada, afetando a oxigenação e a vida aquática por meio do desenvolvimento de microrganismos indesejados.
A proposta da pesquisadora é inverter essa lógica. Em vez de tratar o soro como resíduo, a equipe busca formas de extrair valor dele. “Hoje, a proteína isolada do soro já é utilizada em suplementos alimentares, por exemplo, e vem justamente desse material. No laboratório, os alunos estudam diferentes processos de concentração dessas proteínas, com foco em benefícios para o organismo humano.”
Além da produção de proteína isolada, a equipe trabalha com enzimas que quebram essas proteínas em cadeias menores de aminoácidos — compostos bioativos com grande potencial para a saúde humana. Esses processos resultam em produtos em pó com até 90% de concentração proteica, que podem ser comercializados por diferentes segmentos da indústria.
As informações são do Grupo A Hora.