Pecuaristas recebem novo apoio na negociação com usinas

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Inaugurada no último dia 30 de março, a Associação Láctea Noroeste, com sede em São José do Rio Preto (SP), é a mais nova ferramenta de barganha para que micros e pequenos pecuaristas da região possam melhorar o poder de fogo na hora de negociar com as usinas. A região de São José do Rio Preto é responsável pela produção de cerca de 100 milhões de litros/ano.

De acordo com o presidente da entidade, Benjamin Duran, apesar da produção ser expressiva, a eficiência individual dos mais de 50 mil produtores esbarra no alto custo de insumos, tecnologia e melhoramento genético, e na queda na remuneração. Ele ressalta que a ausência de linhas de crédito para o setor inviabiliza a compra de ordenhadeiras e matrizes, e compromete a modernização da cadeia produtiva.

"Gastamos, hoje, US$ 0,14 para produzir um litro de leite e recebemos entre US$ 0,10 e US$ 0,14. O que ganhamos das indústrias não cobre nem as despesas. A maioria de nós trabalha no vermelho há muito tempo", afirma Duran. A atual remuneração é cerca de 75% menor do que o preço histórico, de US$ 0,25/litro. "As indústrias alegam que há excesso de matéria-prima e que por isso pagam menos. Se isso fosse verdade, o Brasil, que produz 20,1 bilhões de litros de leite por ano, não teria que importar outros 2 bilhões para abastecer o mercado interno", declara.

Para Jorge Rubez, presidente da Leite Brasil, o sistema cooperativista é a melhor alternativa para os micros e pequenos, "pois há o retorno do capital e o pecuarista manda na segunda fase de produção, a industrialização". De acordo com Rubez, aproximadamente 80% da captação de leite nos Estados Unidos é feita por meio do sistema cooperativado. O Estado de São Paulo perdeu 10 cooperativas nos últimos anos e possui, hoje, apenas duas.

Duran, que também é produtor em Monte Aprazível, onde tem gado holandês, frisa que a média regional de produtividade é muito baixa, entre 2,9 litros e 4 litros de leite/dia. Ele atribui a descapitalização gradual do setor como a principal responsável por essa situação. "Uma ordenhadeira mecânica custa US$ 4 mil. O tanque de expansão não sai por menos de US$ 2 mil, US$ 3 mil. Além disso, tem a genética. Hoje, o produtor precisa investir, no mínimo, US$ 15 mil por ano".

(Por Daniele Gonçalves, para Gazeta Mercantil, 09/04/01)
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