Pecuária leiteira engatinha em MT

Publicado por: MilkPoint

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Dificuldades de produção e venda foram temas debatidos em palestra no primeiro dia do I Encontro Nacional dos Negócios da Pecuária (Enipec) que está sendo realizado em Cuiabá, no Mato Grosso

A produção leiteira em grande escala para abastecimento do mercado interno e externo continua sendo um desafio para a pecuária mato-grossense. Na contramão da evolução do rebanho bovino de corte, que já abastece o exterior e conta hoje com cerca de 20 milhões de cabeças, as bacias leiteiras, ainda incipientes e com pouco emprego de tecnologia, estão compostas por apenas cerca de 1 milhão a 1,2 milhão de vacas.

A baixa qualidade do leite do Estado é fruto da falta de tecnologia empregada para a ordenha e armazenamento do produto que, para não ser contaminado com bactérias, deve ser resfriado imediatamente após a ordenha. "Na verdade, muitos produtores investiram na qualidade do gado leiteiro, em tecnologia, têm conhecimento sobre o assunto, são bem assessorados, mas não usufruem de nenhuma política pública para o setor", alerta o pecuarista de Juscimeira, Jairo Franco Senfrio.

"Para aumentar a qualidade do leite da minha fazenda, investi cerca de R$ 28 mil em aparelhagens. Tanto afinco por nada. Hoje paga-se ao produtor até R$ 0,27 por litro do leite resfriado (o armazenado em tanque sem resfriamento é mais barato). Em agosto do ano passado, esse valor era de R$ 0,36, mas há 15 anos, era de R$ 0,48. Falar que nosso leite não tem qualidade é muito fácil, mas não há incentivo para a modernização dos produtores", afirma o pecuarista e representante do Sindicato Rural de Jaciara, João Augusto.

Para o médico veterinário Zeno Albert, outro ponto que desfavorece o setor e resulta em baixa produtividade na hora da ordenha é a deficiente alimentação do rebanho leiteiro. "Há grandes intervalos entre os partos, o que faz com que a matriz permaneça de seis a 12 meses sem produzir", menciona Albert.

A discussão acerca do tema foi gerada pela palestra do professor da Universidade de Viçosa (MG), Sebastião Brandão, no primeiro dia do I Encontro Internacional dos Negócios da Pecuária (Enipec), que trouxe à tona muitas angústias vivenciadas pelo setor. Em cerca de 50 minutos, o palestrante alertou para a busca da qualidade leiteira.

"Do que adianta eu fazer o resfriamento adequado do leite ordenhado, se quem compra o produto armazena leites resfriados (que possuem pouca incidência de bactérias) com o leite que ficou por mais de quatro horas em temperatura ambiente e que está com alto nível de proliferação bacteriana?", indaga o pecuarista João Augusto.

Em Mato Grosso, as principais bacias leiteiras estão localizadas na região do Vale do São Lourenço, no Médio-Norte e Guaporé. Apenas a Cooperativa Agropecuária do Noroeste do Mato Grosso (Coopnordeste), detentora da marca Lacbom, soma cerca de 1,4 mil pecuaristas.

Cooperativas se destacam na região

Mesmo com a estagnação na produção leiteira de Mato Grosso, alguns resultados são comemorados. Parte do leite produzido no Estado abastece estados do Norte do País. A Coopnoroeste (Aripuanã), há 26 anos no mercado, é a única que industrializa leite tipo longa vida (em caixinha) no Estado. Cerca de 60% de sua produção está voltada para esse tipo. "Todo o produto comprado de nossos cooperados é 100% utilizado pelo laticínio. Não revendemos leite", conta o gerente industrial, Fernando Barbosa.

Hoje, dos 160 mil litros/dia, 100 mil estão comprometidos com o longa vida. "Os outros 60 mil litros são utilizados na fabricação dos outros produtos que levam a marca Lacbom, como manteiga, doce de leite, queijos, bebidas lácteas e requeijão", explica Barbosa.

Os resultados ultrapassam as fronteiras estaduais. Mesmo que a fabricação do leite em caixinha tenha começado apenas em 1997, hoje a cooperativa fornece o produto para Amazônia, Rondônia, Rio de Janeiro e Santa Catarina. "Nossa variação de produtos data da década de 90 e hoje, com um controle de qualidade interno por meio de laboratório próprio, podemos servir de exemplo para o Mato Grosso", afirma Barbosa.

Outra empresa que se destaca no cenário da pecuária leiteira é a Cooperativa Mista Agropecuária de Juscimeira, única a abastecer a empresa Nestlé no Estado. A Comajul coleta cerca de 120 mil litros de leite por dia.

Fonte: Diário de Cuiabá (por Marianna Peres), adaptado por Equipe MilkPoint
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