Pecuária leiteira do Uruguai caminha para um recorde de produção

O setor lácteo uruguaio deve atingir novo recorde em 2025, com clima favorável, preços estáveis e margens melhores, impulsionando produção e exportações. Entenda!

Publicado por: MilkPoint

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O Uruguai está prestes a atingir um novo recorde anual na produção de leite, impulsionado por condições climáticas favoráveis e margens de lucro melhoradas, após anos difíceis. Em agosto, a produção cresceu 4,5%, superando 200 milhões de litros. O preço médio do leite se manteve estável, enquanto os custos de alimentação diminuíram. No entanto, a concentração da produção e a saída de pequenos produtores são preocupações, assim como as restrições orçamentárias do Instituto Nacional do Leite (Inale).

O Uruguai atravessa um momento promissor para sua indústria leiteira: o setor está a caminho de alcançar um novo recorde anual de produção, somando-se ao impulso positivo que vivem a agricultura e a pecuária no país. Segundo análise do jornal El Observador, esse cenário reflete uma combinação favorável de clima, estabilidade de preços e melhora de margens, que permite ao setor se recuperar após anos difíceis.

Nos últimos anos, a pecuária leiteira uruguaia enfrentou dois períodos complicados: em 2023, a seca atingiu o país com força, e em 2024, as chuvas excessivas do verão afetaram os custos e o rendimento das forragens. Agora, com condições mais favoráveis, os produtores projetam que 2025 poderá superar os 2,14 bilhões de litros entregues à indústria, ultrapassando os maiores volumes já registrados.

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Um dos sinais mais recentes e contundentes é o crescimento de 4,5% em agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior, ao ultrapassar 200 milhões de litros entregues às indústrias. Para setembro, estima-se que as remessas possam chegar a 228 milhões de litros, impulsionadas por um aumento de 12% registrado pela Conaprole em relação a setembro de 2024. Outubro também surge com altas expectativas, já que deve superar tanto os 216,2 milhões de litros do ano passado quanto o recorde anterior de 222 milhões de litros alcançado em outubro de 2020.

 

Esse dinamismo se apoia em três pilares fundamentais:

  • O clima e as forragens estão favoráveis. O estado dos solos e as chuvas têm favorecido o crescimento das pastagens e dos cultivos complementares, reduzindo a dependência de concentrados caros. As vacas têm desfrutado de maior conforto produtivo, o que se traduziu em um maior volume de sólidos (gordura + proteína).
     
  • A relação entre preços e custos também é positiva. O preço médio pago ao produtor está em torno de US$ 0,40 por litro, um nível que se manteve estável. Enquanto isso, o custo da alimentação — especialmente dos concentrados — diminuiu em comparação com períodos anteriores, melhorando a “relação leite–alimento” e gerando margens mais confortáveis do que as vistas na última década.
     
  • Melhora financeira que permitiu reinvestimentos. Com a recuperação da liquidez, os produtores conseguiram reduzir o endividamento. Um instrumento importante foi o fideicomisso financeiro firmado entre o Banco República e a Conaprole, que possibilitou a extensão de prazos de pagamento e aliviou a pressão imediata. Essa recuperação permitiu não apenas cobrir custos operacionais, mas também investir em infraestrutura, ampliar o rebanho ou adquirir novas tecnologias de produção.

Paralelamente, o setor lácteo uruguaio vem fortalecendo sua posição como exportador. Até setembro de 2025, os produtos lácteos se consolidaram como o quarto maior complexo exportador do país, com vendas de US$ 680 milhões — um crescimento de 14% em relação ao ano anterior — e 179 mil toneladas exportadas, um volume recorde para os primeiros nove meses do ano. Agosto e setembro registraram dois meses consecutivos com vendas superiores a US$ 90 milhões, algo que não ocorria há quatro anos.

Apesar do panorama favorável, há questões que preocupam as organizações do setor. A concentração da produção leiteira continua avançando: pequenos produtores familiares seguem desaparecendo — dois ou três por mês —, sendo absorvidos por fazendas de maior escala. Seis plantas industriais deixaram de operar recentemente (como Calcar, Coleme e Lactalis), o que fez com que o setor formal sofresse uma retração em sua base de fornecedores.

As restrições orçamentárias do Instituto Nacional do Leite (Inale), responsável por coordenar políticas de pesquisa, inovação e apoio ao setor, também são motivo de preocupação: atualmente, o órgão recebe os mesmos recursos, em pesos, de anos atrás e possui reservas que podem se esgotar em 2026 se não houver realocação de verbas.

Se esse recorde de produção se concretizar, para muitos ele representará mais do que um número: poderá marcar o início de uma nova etapa de crescimento sustentável e inclusivo para a pecuária leiteira uruguaia — desde que se consiga estabilizar a base de produtores e manter o equilíbrio entre expansão e viabilidade financeira.

As informações são do El Observador.

 

 

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