Parmalat tem novo cronograma de pagamento; setor se reunirá para avaliar efeitos da crise
Publicado por: MilkPoint
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De acordo com o presidente da Faerj (Federação de Agricultura do Rio de Janeiro), Rodolfo Tavares, o pagamento no dia 5 era uma espécie de "antecipação" pelo fornecimento do leite entre o dia 1º e o dia 15 do mês anterior. A partir de agora, o pagamento será feito apenas no dia 15, referente ao produto entregue no mês anterior.
Essa prática já é adotada com os produtores que entregam diretamente para a Parmalat. Uma fonte ligada à empresa disse tratar-se de uma medida tomada em um momento de "exceção" e que não se sabe quanto tempo ira durar.
Tavares, que representa as cooperativas fluminenses fornecedoras da Parmalat, disse que a mudança, que afeta a capacidade financeira das cooperativas, será discutida em reunião com o presidente da empresa, Ricardo Gonçalves, em São Paulo, a 7 de janeiro, mas o principal assunto da reunião será o atraso do pagamento de uma parcela de R$ 2,3 milhões a 11 cooperativas do Rio que fornecem leite para a fábrica da empresa em Itaperuna.
Na terça-feira, a Parmalat depositou 30% do valor para as cooperativas, confirmou ontem o presidente da Faerj. Empresa e cooperativas discutem como serão pagos os 70% restantes.
A parcela venceu no dia 15 de dezembro, e a empresa informou às cooperativas que pagaria a 29 de dezembro, mas não o fez. No dia 30, depositou os 30%. "Queremos saber qual a estratégia da empresa daqui para frente, como será o relacionamento comercial e se existe intenção de desmobilizar ativos", afirmou Tavares.
Na terça-feira, o secretário estadual de Agricultura do Rio, Christino Áureo, reuniu-se com as cooperativas para discutir a crise provocada pelo atraso do pagamento do leite pela Parmalat no noroeste fluminense. Ele anunciou que o governo do Rio decidiu retomar os programas de compra de leite na região para criar alternativas para os produtores. A estimativa é adquirir de 100 mil a 150 mil litros/dia dos produtores, mais do que a média do programa em 2002, de 75 mil litros/dia.
O secretário afirmou que o calote da Parmalat já atinge a economia do noroeste fluminense, uma das áreas mais carentes do estado. "Famílias inteiras de trabalhadores rurais não tiveram Natal, porque os produtores não puderam repassar os pagamentos", disse.
Outra medida em estudo para diminuir a dependência dos fornecedores em relação à Parmalat é a construção de uma indústria de secagem, para produzir leite em pó, que teria o apoio do Estado.
Segundo Áureo, a Procuradoria Geral do Estado foi acionada para analisar ações legais que visam a proteger produtores da região, antecipando-se a um eventual pedido de concordata da empresa no Brasil, mas essas ações só avançarão se a negociação fracassar. Áureo deposita as esperanças em uma reprogramação dos pagamentos das cooperativas.
Reunião
A crise da Parmalat já preocupa o governo. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, convocou para terça-feira (06) uma reunião da Câmara Setorial do Leite e Derivados para discutir os efeitos da concordata da Parmalat italiana no mercado brasileiro e medidas para evitar prejuízos ao setor no Brasil.
Produtores gaúchos de leite também se reunirão no mesmo dia para discutir como reagir a um eventual calote ou à suspensão das compras pela Parmalat no Estado. A Fetag (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado), o Sindilat (Sindicato das Indústrias do Setor) e a Secretaria da Agricultura estudarão alternativas, explicou o presidente da entidade, Ezídio Pinheiro.
Segundo ele, uma das opções para os mais de 12 mil produtores gaúchos vinculados à Parmalat seria entregar o leite a outras indústrias e cooperativas, que operam com ociosidade entre 25% e 30%. A Parmalat capta 17% da produção mensal de 120 milhões de litros de leite no Estado, atrás da Elegê, com 70%.
Apesar das preocupações crescentes, uma fonte da Parmalat disse que o problema de pagamentos é restrito ao Rio de Janeiro. Segundo a fonte, 80% do leite comprado pela empresa no país provêm de produtores que entregam diretamente. Os 20% restantes provêm de cooperativas.
Na terça, a Parmalat comunicou a renúncia do seu diretor de relações com investidores no Brasil, Paulo Engler Pinto Júnior, "em caráter irrevogável e irretratável". Ele será substituído por Andrea Ventura. A renúncia foi aceita no dia 19 de dezembro, um dia depois que vieram à tona os primeiros efeitos da crise da empresa no Brasil.
Garantias
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) informou que está "confortável" quanto à dívida que a Parmalat tem com a instituição, de R$ 25,9 milhões, cuja primeira parcela vencerá a partir do fim do primeiro trimestre de 2004, apesar da crise financeira que se abateu sobre a matriz da multinacional italiana.
Segundo o BNDES, o financiamento está garantido por uma carta de fiança de um banco de primeira linha. O financiamento foi liberado em setembro e representa cerca de 23% do total de um projeto de racionalização industrial que a subsidiária brasileira da multinacional apresentou no fim de 2002.
O projeto, orçado à época em R$ 111,3 milhões, englobou relocalização industrial, aumento da produção, novos produtos, tratamento de efluentes, racionalização produtiva, logística e administrativa, nas unidades de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Rio Grande do Norte, Ceará, Rondônia, Pernambuco, Goiás e Rio de Janeiro.
Fonte: Valor (por Alda do Amaral Rocha, Marta Barcellos e Sérgio Bueno) e O Estado de S. Paulo (por Nilson Brandão Junior e Graziella Valenti), adaptado por Equipe MilkPoint
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OUTRO - SANTA CATARINA - ESTUDANTE
EM 02/01/2004