Não é só a subsidiária brasileira que enfrenta um processo de reestruturação no grupo italiano Parmalat. Devido a seu acelerado crescimento por meio de aquisições, a multinacional já está presente em 32 países, ante apenas seis em 1990. A reorganização de ativos foi necessária também na Austrália, Canadá e até na própria matriz. "Acabamos de completar a compra dos negócios lácteos da Cirio na Itália", disse o diretor financeiro da Parmalat, o italiano Alberto Ferraris.
Em meio a essa reorganização, a empresa está ajustando melhor o foco global de seus negócios. Ferraris rejeita a idéia de que a Parmalat está voltando a ser apenas um laticínio, ao invés de uma empresa de alimentos, mas afirma que há apenas duas áreas em que a companhia quer crescer agressivamente nos próximos anos: leite líquido e sucos de frutas, guiados pelas "marcas globais" Parmalat e Santàl.
Além da expansão do Natura Premium, leite de garrafa comercializado na Itália e no Brasil, direcionado ao público das classes A e B, o conglomerado aposta nos sucos Santàl. Animada com o forte crescimento desse mercado no mundo, a Parmalat quer levar a marca a todos os países nos quais atua em dois anos. Hoje, a Santàl está em 16 países.
Mas o mesmo otimismo não faz parte do dia-a-dia de segmentos como iogurtes ou água. Esses mercados estão incluídos na categoria "crescer seletivamente". "Não adianta trabalharmos com iogurtes na França, por exemplo, onde a concorrência é forte", exemplifica Ferraris, referindo-se ao país sede da Danone. "Mas podemos conquistar a liderança em nichos específicos", acredita.
Essa estratégia mundial, portanto, delineia a cartilha que a subsidiária brasileira está seguindo. "Mas o Brasil é o pior caso de reestruturação do mundo", reconhece o diretor financeiro da Parmalat no país, Andrea Ventura. Desde 1998, quando a empresa começou a se reorganizar, foram fechadas 29 das 34 fábricas. "Chegamos a atuar até em brinquedos, quando vendemos 25 milhões de mamíferos de pelúcia em uma promoção", brinca Ventura. Mesmo assim, a filial brasileira é vista com bons olhos pela matriz, garante Ferraris.
"O Brasil não é uma perda, pois as margens operacionais são boas". O país, primeira investida da Parmalat fora da Itália, é o segundo maior mercado do grupo em volume de vendas e o terceiro em faturamento.
Fonte: Valor On Line (por Raquel Landim), adaptado por Equipe MilkPoint
Parmalat quer crescer em leite líquido e sucos
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