Parmalat estima que volta a ter lucro em dois anos

Publicado por: MilkPoint

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Um ano após o início de seu processo de reestruturação, a Parmalat Brasil Indústria de Alimentos, subsidiária da italiana Parmalat Finanziaria, calcula agora que poderá voltar ao azul daqui a dois anos. Desde 1998, a empresa acumula prejuízos no País. Em 2002 as perdas foram de R$ 191,9 milhões, mais de três vezes superiores ao ano anterior. No primeiro trimestre deste ano, entretanto, o prejuízo de R$ 17,3 milhões foi bem menor que o do mesmo período do ano passado, de R$ 41,2 milhões.

"O processo de ajustes nas fábricas está praticamente concluído e vamos em breve focar em outras frentes para a retomada de resultados", disse o presidente da Parmalat Brasil, Ricardo Gonçalves, numa apresentação a investidores e analistas de mercado. Ele não informou, entretanto, se outras fábricas serão fechadas ao longo de 2003 e 2004.

Nos últimos dois anos, a Parmalat se desfez de nove unidades fabris - caíram de 17 para oito -, desistiu do segmento de chocolates ("por falta de alinhamento estratégico", segundo Gonçalves), transferiu linhas de produção e fechou três centros de distribuição, ficando com sete. "Equacionamos a produção à natureza do negócio e à proximidade com o mercado consumidor".

Em 2002, o programa de redução de custos, que deve continuar este ano, fez com que o número de funcionários caísse de 7,8 mil para 7,2 mil em um ano (incluindo a Batávia, dona da marca Batavo, adquirida pela Parmalat em 1998); os postos de captação de leite passaram de 42 para 39, com uma redução na captação de sete milhões de litros, num universo de 1,18 bilhão de litros de leite por ano.

Além dos cortes de custos, a Parmalat Brasil vai investir na consolidação das marcas e do portfólio de produtos globais (leites Parmalat e sucos sob a marca Santal) e das chamadas "jóias locais", itens que são comercializados apenas no território brasileiro, mas que continuam em produção por causa da confortável posição de mercado que possuem, como é o caso dos atomatados e da linha de leite condensado e creme de leite. "O segmento de sucos prontos mostra-se promissor, uma vez que movimenta apenas US$ 123 milhões por ano, 2,4% do mercado de bebidas não-alcoólicas", disse.

A Parmalat Brasil vai apostar também em novos canais, como o segmento de food service e as exportações que, ainda "incipientes", movimentaram US$ 14 milhões para 32 países no ano passado. "No primeiro trimestre, nossas vendas externas já alcançaram um terço desse montante", disse Gonçalves.

Sem deixar de dar prioridade às grandes redes, a Parmalat pretende ampliar a distribuição para canais alternativos e ao pequeno varejo. "A distribuição nacional ainda não é satisfatória", afirmou.

A consolidação das marcas globais da Parmalat Brasil segue a estratégia da Parmalat Finanziaria, que atua em 30 países. "O processo de consolidação mundial está feito, após a entrada em novos mercados e aquisições de fábricas. Agora vamos centrar esforços em segmentos rentáveis", disse o chief financial officer (CFO) mundial da Parmalat, Alberto Ferraris.

Fonte: Gazeta Mercantil (por Patrícia Nakamura), adaptado por Equipe MilkPoint
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