Fornecedores de produtos agropecuários prometem entregar hoje à Assembléia Legislativa, documentos que comprovariam a prática de dumping pelas grandes redes de supermercados do Paraná. O dumping, venda de um produto por valores abaixo de seu preço de custo, para aniquilar a concorrência, é considerado crime econômico.
O presidente da Associação dos Produtores da Ceasa de Curitiba (Aprotiba), Paulo Ricardo da Nova, disse ontem que serão apresentadas aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Alimentos notas fiscais que comprovam a compra de alface do produtor por R$ 0,10 a unidade e a venda em supermercados, no mesmo dia, do produto pela metade desse valor, R$ 0,05. Segundo produtores, o custo de produção da alface é de R$ 0,12 a unidade.
Uma caravana de fornecedores deverá protestar, a partir das 9 horas, em frente à Assembléia, no bairro Centro Cívico, em Curitiba. A manifestação aproveitará o depoimento de representantes das redes multinacionais Sonae (portuguesa), Carrefour (francesa) e Wal Mart (norte-americana) à CPI dos Alimentos. O representante do Pão de Açúcar já foi ouvido pelos deputados.
A guerra entre fornecedores e as redes varejistas começou em 1998, quando os grupos estrangeiros começaram a se instalar no Paraná, comprando redes locais. Como montaram cadeias com dezenas de lojas, ampliando seu poder de pressão, os fornecedores de produtos agropecuários acusam esses grupos de práticas abusivas.
Além do dumping, as denúncias envolvem exigência de descontos de até 18% para a venda dos produtos às redes, cobranças de taxas, devolução de produtos perecíveis não vendidos sem comprovação, exigência da manutenção de "promotores" nas lojas e até "enxoval" (entrega gratuita de produtos toda vez que a rede inaugura ou reforma uma loja).
"Essas práticas estão levando a falência à cadeia produtiva", afirma o secretário de Agricultura da Prefeitura de Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) e presidente da Associação Paranaense de Secretários Municipais de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente (Apasema), Antonio Ricardo Milgioransa.
Comitê senta à mesa de negociação com supermercados
Tentando melhorar seu poder de negociação junto às grandes redes supermercadistas que atuam no Paraná, oito entidades agropecuárias fundaram, na última semana, o Comitê Permanente de Acompanhamento e Avaliação das Relações Comerciais com os Supermercados. "O mercado é que faz o preço. A competição entre as redes de supermercados, um setor altamente concentrado, faz com que elas utilizem o leite para atrair consumidores com promoções", diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados (Sindileite), que reúne 200 laticínios paranaenses, Wilson Thiesen.
Além dos fornecedores de leite, o comitê reúne entidades ligadas à produção de carnes e hortigranjeiros, além da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e da Federação da Agricultura do Estado (Faep). "Não queremos confronto, mas corrigir rumos que não estão corretos", pondera o presidente da Associação Paranaense de Fornecedores de Supermercados (Assosuper), Celso Gusso.
Fonte: Gazeta Mercantil (por Valmir Denardin), adaptado por Equipe MilkPoint
Paraná: produtores acusam supermercados de praticar dumping
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