O Plano de Competitividade para a indústria láctea da Argentina terá que esperar pelo menos algumas semanas. A oposição das Confederações Rurais Argentinas (CRA) acabou prejudicando tais planos, no final da Mercoláctea 2001. Como resultado, o ministro argentino Domingo Cavallo não pôde determinar em seus pagamentos o primeiro esquema de incentivos dirigido ao campo.
A expectativa para a criação do Instituto Federal de Lácteos da República Argentina, que seria feita durante o evento, era grande. Esperava-se para o ato inclusive a presença do Presidente da República, Fernando de la Rúa.
O setor leiteiro argentino tem ciclos muito oscilantes de produção e muitas vezes gera-se polêmica com relação aos excedentes de produção na primavera, com desequilíbrios de preços para o mercado interno que, sem uma política setorial, são muito difíceis de balancear. O ato que deveria ter sido firmado, e foi adiado, daria um prazo de 90 dias para que a produção e a indústria apresentassem uma proposta conjunta, embora seja de conhecimento público que a relação entre essas duas partes não é a melhor possível.
"Os australianos, os neozelandeses e os norte-americanos têm grande vantagem porque negociam juntos", disse José Quintana, analista do mercado de lácteos, ao fixar sua posição com relação ao Instituto. Quintana citou um seminário realizado anteriormente pela Associação de Produtores de Leite no qual, por exemplo, o representante da Nova Zelândia estava em condições de falar em nome de todos os produtores, de toda a indústria e de toda a comercialização. Dessa forma, ele concluiu que enquanto outros países estão em condições de mandar somente uma pessoa representando todos, a Argentina ainda está na etapa de ver quem vai decidir o que fazer, e somente depois, fazer.
Luta desigual
"Temos que sair lutando no mundo com lobos (como chamou os competidores), e o que nos falta nesse momento é trabalhar juntos para definir uma política, indispensável para enfrentar esse mundo. Se assim o fizermos, teremos oportunidade de crescer", disse Quintana.
Para o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) do País, Hugo Cetrángolo, atualmente os supermercados competem e afetam fortemente a indústria, o mesmo ocorrendo com a indústria sobre os produtores. "Estamos diante de relações de competição que somente piora a situação para todos, não promovendo colaboração, como observado nos outros países", disse ele. "Aí é onde o Estado deve interferir, com mecanismos de regulamentação, fazendo com que a cadeia seja mais competitiva no seu conjunto", concluiu.
Divergências
Segundo fontes do setor, os grandes produtores de leite não estão de acordo com o mecanismo de constituição de um Fundo Compensador de Preços, citado como opção para que as baixas internacionais do produto não afetem a produção. Esse fundo seria alimentado com dinheiro dos próprios produtores através de uma retenção sobre o valor pago pela indústria na época de melhor preço do produto. Sendo assim, os membros da CRA que estão contra esse fundo solicitam o apoio financeiro do setor oficial e das indústrias. Além disso, eles preferiram baixar a quantidade de litros de leite que sai de suas propriedades, a fim de impulsionar os preços no mercado interno.
A idéia das províncias é desenvolver um Instituto Lácteo para fomentar as exportações, aumentar o valor agregado dos produtos do setor e pesquisar novos produtos - e, caso seja necessário, sustentar o preço pago ao produtor em US$0,18/0,19 por litro. Dessa forma, pretendia-se diversificar a produção e o foco estaria voltado para os mercados externos.
fonte: E-campo e La Nación (por Roberto Seifert), adaptado por Equipe MilkPoint
Oposição prejudica plano de competitividade argentino
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