OMC: mercado do leite é o mais protegido e distorcido

Segundo Mario Matus, Presidente do Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), "o mercado mundial de leite é o mais protegido e distorcido". O mesmo proferiu essa frase durante seu discurso sobre "As negociações multilaterais e o comércio de produtos lácteos", durante o 11º Congresso Pan-Americano do Leite - realizado em Belo Horizonte nos dias 22 a 25 de Março.

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Segundo Mario Matus, Presidente do Conselho Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), "o mercado mundial de leite é o mais protegido e distorcido". O mesmo proferiu essa frase durante seu discurso sobre "As negociações multilaterais e o comércio de produtos lácteos", durante o 11º Congresso Pan-Americano do Leite - realizado em Belo Horizonte nos dias 22 a 25 de Março.

Matus caracterizou o mercado como sendo composto por altas taxas aduaneiras, altos subsídios para a exportação e produção, e salvaguardas especiais - instrumento de defesa comercial que consiste na aplicação de tarifas ou cotas, destinadas a dificultar a entrada de produtos importados no país. Segundo o mesmo, somente 7% da produção mundial de leite são comercializados internacionalmente, e o mercado de exportação está concentrado nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e União Europeia, os quais também utilizam desses instrumentos de defesa.

Matus continuou sua palestra explicando o papel da Organização Mundial do Comércio: "toda negociação entre países que ocorre no mundo deve estar sobre as regras da OMC". De acordo com o mesmo a organização é responsável em gerenciar os acordos que compõem o sistema multilateral de comércio, buscando reduzir barreiras comerciais entre as nações. As negociações na OMC são feitas em Rodadas e, atualmente, está em andamento a Rodada de Doha, iniciada em 2001.

Dentre as propostas da Rodada de Doha para o setor estão: a redução das taxas de subsídios - atualmente, as taxas autorizadas para subsídio pela OMC são muito superiores às utilizadas -; e a redução das tarifas aduaneiras, principalmente nos Estados Unidos e na União Europeia. As negociações, porém, não têm avançado, "há pouco interesse do setor privado, falta de liderança nas negociações e substituição das relações de poder", disse Matus, referindo-se à importância atual dos Brics, grupo composto por Brasil, Índia, China e Rússia, na cadeia do leite.

Equipe MilkPoint e Fepale.
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