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"O Brasil faz o melhor trabalho de diversidade do mundo", diz CEO global da Ben & Jerry's

Dos 38 países na qual a marca Ben & Jerry’s está presente, o Brasil é o que faz o melhor trabalho em diversidade, afirma Matthew McCarthy, CEO global da companhia. No início do mês, o executivo veio ao país para olhar as operações de perto. No cargo há 16 meses, McCarthy tem trabalhado para mesclar os objetivos no campo social — pela qual a marca ficou conhecida — com os de crescimento. “Em 2020, queremos crescer. Crescer em impacto, em negócios e em diversão”, afirma.

Durante a entrevista, McCarthy também falou sobre a importância do posicionamento das marcas. Fundada em 1978 pelos hippies Ben Cohen e Jerry Greenfield, a Ben & Jerry’s se tornou uma empresa que toma partido. Nos últimos anos, defendeu os direitos LGBT, o casamento gay, o movimento negro Black Lives Matter e causas de sustentabilidade por meio de ações de marketing e parcerias com ONGs ao redor do mundo. “Se a sua marca não faz nada e não é transparente com os fãs sobre os seus valores, ela está morta e você nem sabe ainda”, diz.

Como presidente da companhia, McCarthy diz não ter feito nenhuma mudança estrutural desde que chegou. “Mas mudanças específicas, sim.” Entre elas, investir em ações de impacto social regionalizadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, tem trabalhado em parceria com ONGs para diminuir o racismo nos tribunais de justiça norte-americanos. No campo dos negócios, o trabalho tem sido olhar internamente para a empresa. Um dos passos foi garantir melhores condições de trabalho para os funcionários das fazendas onde a Ben & Jerry’s compra a matéria-prima do seu sorvete. “Precisamos garantir que a prosperidade não se limite à nossa companhia ou aos donos das fazendas. É necessário que todos os membros dessa cadeia se beneficiem do negócio”, afirma.

Quanto ao Brasil, o CEO diz ter aprendido muito ao longo desse um ano e quatro meses. De acordo com o executivo, o time brasileiro mostrou ser capaz de inovar em processos e em ações de impacto social. “O Brasil está ensinando a mercados tradicionais como o dos Estados Unidos e da Inglaterra um novo jeito de levar os valores da nossa empresa para o mundo”, diz.


Matthew McCarthy, CEO global da Ben & Jerry´s

Abaixo, confira a entrevista:

Como foram esses 16 meses à frente do negócio?

Matthew McCarthy: "Tem sido uma jornada incrivelmente excitante e inspiracional. Eu cresci em Massachusetts, que fica ao lado de Vermont [estado onde a Ben & Jerry’s foi criada], e lembro de comer o sorvete na minha infância e da febre que foi a sua chegada nos anos 1980. Depois de alguma décadas, estar à frente dessa empresa é com certeza um privilégio. Ao mesmo tempo, é um grande aprendizado. Eu tenho mais de 30 anos de experiência em administração de empresas, mas ver de perto o trabalho que a Ben & Jerry’s faz foi revelador. Estou aprendendo muito sobre o impacto das marcas no mundo. Alguns anos atrás, eu decidi que queria ser mais que alguém que ajuda empresas a vender mais. E estar na Ben & Jerry’s faz todo o sentido, porque estou vendo na prática como é possível crescer de maneira sustentável — com o meio ambiente e com os negócios. Eu tenho muita sorte de estar aqui".

Quais foram seus principais desafios e conquistas durante esse período?

"O mercado de sorvetes é extremamente dinâmico e está numa crescente ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, é um mercado no qual os clientes querem mais produtos premium e mais transparência. Eles querem entender a qualidade do produto que estão levando para casa. Não basta você vender algo bom. Eles querem saber sobre o negócio, os ingredientes e a marca que vão compartilhar com sua família. Isso, com certeza, é um desafio. Mas tenho orgulho do trabalho que temos feito em relação à nossa marca e às nossas ações de impacto social.

Do outro lado, vejo o mundo como um lugar complicado — ficando cada vez mais complicado. No fim das contas, no plano geral dos negócios, a Ben & Jerry’s ainda é uma empresa pequena. Por isso, nós tentamos não nos levar tanto a sério. Mas nós levamos as nossas causas muito a sério. Desde a fundação, a nossa missão tem sido lutar contra a marginalização das pessoas e contra um capitalismo que oprime os direitos das pessoas e que prejudica o meio ambiente. Eu gosto de dizer que o mundo precisa de um pouco mais do que a Ben & Jerry’s tem a oferecer. Nós temos um senso de urgência. Precisamos fazer mais parcerias com ONGs, realizar mais ações práticas, influenciar outros negócios.

O mundo passa por uma crise de confiança. As pessoas não confiam mais nos seus governos, na imprensa e até mesmo na ciência. Mas, interessantemente, elas confiam nas empresas. Eu acho isso uma responsabilidade para os empresários. Quem tem o privilégio de liderar um negócio deve ter clareza nos seus valores e colocar isso no mundo, independentemente se vai agradar a todos ou não".


Sorvetes da Ben & Jerry's (Foto: Divulgação)

Isso não é arriscado?

"Muita gente me pergunta se não tenho medo de tomar posições e irritar consumidores. A verdade é que não tenho medo. Isso não significa que eu não me preocupe com certas questões. Eu tenho mais medo de não me posicionar do que de não agradar a todos. Não estamos no negócio para ser tudo para todos. Eu aceito o fato de que nem todas as pessoas do mundo vão concordar comigo. Também sei que não vou estar certo o tempo todo. Mas negócios são formados por pessoas e pessoas têm valores. Portanto, negócios também precisam ter valores.

Atualmente, o mundo vive uma onda de populismo e diversos mercados onde atuamos foram afetados. Eu acho isso um atraso. De maneira genérica e simplista, o mundo foi comandado por homens brancos por muito tempo. E o mundo mudou. Só que nem todos aceitaram essas mudanças. As pessoas querem voltar para trás. A resposta não está no passado. Se as pessoas seguirem contrariando cientistas e não acreditarem nas mudanças climáticas, eu garanto que seu tempo no poder estão com os dias contados. Não faz sentido ver pessoas com medo do progresso, com medo de encarar que estamos enfrentando problemas climáticos, que muita gente ainda é marginalizada e oprimida e que isso precisa mudar. Negócios são feitos de pessoas. E pessoas precisam se posicionar contra esse tipo de comportamento".

Como levar essa consciência para o negócio?

"No caso da Ben & Jerry’s, posso dizer que justiça e inclusão sempre fizeram parte dos nossos valores. Apoiar o casamento gay, direitos para pessoas trans ou qualquer tipo de ação nesse sentido é natural para o nosso time. Não acho que funciona quando é forçado. Algo que aprendi nesse tempo é que valores não nascem em salas de executivos C-level. Os valores estão nas pessoas que fazem o negócio. Eu não preciso dizer nada como CEO, porque é assim que as pessoas do meu time pensam. Outro ponto é que não somos experts nesses assuntos. Então precisamos de parceiros que entendam fazer isso. Por isso, buscamos apoiar ONGs especializadas nesses temas. Nós não fazemos nada sozinhos. Os valores estão nas pessoas que fazem o negócio".

Como controlar seu tempo causas sociais e ser CEO de uma empresa de sorvete?

"Eu aprendi a redistribuir poder. Hoje, eu sou muito mais ativo e útil para a empresa quando dou recursos e condições para as pessoas trabalharem. O meu papel é definir e ouvir os colaboradores e distinguir o que são oportunidades de negócio e o que são oportunidades de impacto. E, claro, o que são todas numa só. Eu brinco que quanto mais você sobe, menos você sabe. Às vezes, minha experiência de 15 anos não conta para nada. O mundo está mudando rapidamente. Por isso, eu faço questão de saber o que as pessoas querem fazer. Porque aí eu entro dando o suporte e os recursos para que o trabalho seja feito".

Como você vê o Brasil e o consumidor brasileiro?

"O Brasil está ensinando algumas lições para mercados mais tradicionais. Eu acho que o nosso time no Brasil está fazendo o melhor trabalho do mundo em termos de diversidade. Diversidade no seu sentido mais completo, trazendo pessoas com diferentes vozes e histórias para dentro do nosso negócio. O trabalho tem sido inspirador e queremos levar esse espírito para países como Inglaterra e Alemanha. Do lado do consumidor, o engajamento do cliente com a nossa marca é impressionante. Aqui, podemos cocriar com os clientes, porque eles se manifestam diariamente sobre o que querem e o que não querem. Isso nos ensinou a ouvir mais os consumidores e perceber o seu valor para a produção dos nossos sorvetes".

E o que você espera de 2020?

"Espero crescer. Eu não tenho medo de dizer que sou fã de crescimento. Não tenho vergonha disso. Sei que vários aspectos do capitalismo eram ruins, são ruins e seguirão ruins. Mas se nós não crescermos, nós vamos perder a oportunidade de ajudar, empregar e tocar a vida das pessoas. É preciso crescer em produtos, impacto social e sustentabilidade".

As informações são da Época Negócios. 

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