Novo estudo traz consumo de queijo associado a redução do risco de demência

Um estudo recente conduzido por cientistas no Japão sugere que consumir queijo pelo menos uma vez por semana pode estar associado a uma redução significativa no risco de demência em adultos mais velhos. Saiba mais!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

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Um novo estudo realizado no Japão observou que o consumo semanal de queijo pode estar relacionado a uma menor incidência de demência em idosos.

A pesquisa, publicada em 2025 na revista científica Nutrients, acompanhou mais de mil participantes com 65 anos ou mais durante três anos. Embora os resultados indiquem uma possível relação entre o alimento e a saúde cerebral, especialistas ressaltam que as evidências ainda não permitem afirmar que o queijo reduz o risco da doença.

Resultados da pesquisa

O estudo, conduzido por pesquisadores japoneses, avaliou os hábitos alimentares dos voluntários e dividiu os participantes entre consumidores e não consumidores de queijo. Ao fim do período de acompanhamento:

  • 3,4% dos idosos que consumiam queijo ao menos uma vez por semana desenvolveram demência.

  • Entre os que não consumiam o alimento, a taxa foi de 4,5%.

Após ajustes estatísticos, os autores estimaram que o consumo semanal de queijo esteve associado a uma redução relativa de risco entre 21% e 24%.

O artigo, intitulado Cheese Consumption and Incidence of Dementia in Community-Dwelling Older Japanese Adults, aponta ainda que os consumidores frequentes de queijos tendiam a apresentar melhores escores em testes cognitivos.

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Os cientistas levantam algumas hipóteses para explicar a possível relação entre queijo e proteção cognitiva: O queijo é rico em proteínas, aminoácidos essenciais e vitamina K², nutrientes importantes para a saúde dos neurônios e dos vasos sanguíneos.

Pode haver ação anti-inflamatória: peptídeos bioativos e compostos presentes em queijos fermentados teriam efeitos benéficos sobre processos inflamatórios no corpo.

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Além disso, o estudo sugere um papel para o eixo intestino-cérebro, já que certos derivados lácteos fermentados podem influenciar a microbiota intestinal, o que por sua vez poderia afetar a função cognitiva.
 

Associação, não comprovação

Apesar dos números sugerirem um possível efeito protetor, o estudo não permite concluir que o queijo seja o responsável direto pela diferença. Isso porque a pesquisa é observacional, um tipo de estudo que identifica associações, mas não estabelece relações de causa e efeito.

Os próprios autores destacam limitações importantes:

  • os hábitos alimentares foram registrados apenas no início, sem acompanhamento de mudanças ao longo dos anos;

  • não houve controle sobre tipo de queijo, porções consumidas ou outros elementos da dieta;

  • fatores como nível de atividade física, escolaridade, condições de saúde e rotina cognitiva também podem ter influenciado os resultados.

Especialistas ouvidos por veículos internacionais de divulgação científica, como News Medical e ScienceAlert, lembram que a diferença absoluta entre os grupos foi pequena, em torno de 1 ponto percentual, e que outros estudos são necessários para esclarecer se existe, de fato, uma ação específica do queijo na prevenção da demência.
 

Contexto científico mais amplo

Pesquisas recentes têm investigado o impacto de diferentes componentes da dieta na saúde cerebral. Revisões científicas mostram que alimentos fermentados, como queijos e iogurtes, podem influenciar processos metabólicos e inflamatórios ligados à função cognitiva. No entanto, os resultados ainda são variados, e não há consenso sobre efeitos isolados de um único alimento.

As diretrizes atuais para prevenção de demência continuam apontando para padrões alimentares amplos, com dietas ricas em vegetais, lácteos, leguminosas, azeite e peixes, em vez de recomendações específicas sobre o consumo de um único alimento.
 

Conclusão 

A pesquisa japonesa oferece novos dados sobre possíveis relações entre dieta e saúde cognitiva, mas seu caráter observacional exige cautela na interpretação. O consumo de queijo pode integrar um padrão alimentar saudável, porém não há evidências suficientes para afirmar que ele reduz, por si só, o risco de demência.

Novos estudos, incluindo ensaios clínicos controlados, serão necessários para determinar com maior precisão o papel do alimento na saúde cerebral e verificar se os resultados observados no Japão se repetem em outras populações.

As informações são da Tribuna, adaptadas pela equipe MilkPoint.

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