O último índice de preços das commodities feito pelo Australia and New Zealand Banking Group Limited (ANZ), líder em serviços bancários e financeiros na Oceania, mostrou que os preços internacionais de lácteos vêm enfraquecendo nos últimos 9 meses e uma queda de 5,6% ocorrida em junho foi o principal fator da queda de 1% ocorrida no índice de preços mundiais de commodities durante este mês.
O contínuo fortalecimento do dólar neozelandês frente às moedas dos parceiros comerciais da Nova Zelândia também tem sido um fator contribuinte com esta situação. Falconer disse que a queda nos preços mundiais de leite e a possibilidade de pagamento da Fonterra na próxima estação deverão atingir níveis mais baixos do que os NZ$ 4/kg de sólidos previstos, o que será bastante prejudicial aos produtores de leite do país. "Há muitos débitos rurais e isso significa que os pagamentos de juros e as taxas de juros estão aumentando, à medida que aumenta o dólar neozelandês". Porém, as vendas da Fonterra, bem como o câmbio de compra da cooperativa poderão amortecer esta queda.
A preocupação é que este declínio nos preços mundiais de commodities seja dramático. "Grandes flutuações na receita não são aceitáveis e podem dificultar bastante o gerenciamento dos produtores rurais. Os produtores terão que fazer seu orçamento com muito cuidado na próxima estação. Aqueles produtores que compraram propriedades leiteiras, ou converteram suas propriedades rurais em leiteiras nos últimos 2 anos, quando os valores das commodities e os preços das terras estavam aumentando, terão que ser especialmente cuidadosos".
Falconer disse que a queda nos preços deverá ser bastante agressiva aos produtores de leite. Segundo o relatório da ANZ, os preços dos lácteos caíram quase 40% com relação ao pico atingido no ano passado. Com o impacto do aumento do dólar neozelandês, os preços dos produtos lácteos quase caíram pela metade em termos de dólar neozelandês nos últimos 12 meses.
O economista chefe do ANZ, David Drage, disse que os preços dos produtos lácteos, que já atingiram seu valor mínimo, caíram para se ajustar aos novos aumentos nos subsídios na Europa. "Nós esperamos que os preços dos produtos lácteos comecem a se estabilizar em torno dos níveis atuais, mas eles permanecem vulneráveis às políticas protecionistas da União Européia e dos Estados Unidos".

Ministro do Comércio rejeita instauração de controle de preços do leite
O Ministro do Comércio da Nova Zelândia, Paul Swain, rejeitou o pedido de instauração no país de um controle dos preços dos produtos lácteos no varejo. Segundo ele, os consumidores que acharem que os preços dos lácteos estão artificialmente altos podem fazer uma reclamação com a Comissão do Comércio.
A comissão é uma organização independente com o poder de investigar os preços e os assuntos relacionados à competição, e fazer recomendações ao governo. O Instituto de Consumidores quer que o governo considere a possibilidade de impor um controle dos preços à indústria de lácteos neozelandesa.
É um desafio para as companhias de lácteos da Nova Zelândia baixar os preços dos lácteos no varejo com a grande queda nos preços internacionais e o aumento da moeda do país. As estatísticas feitas em maio mostraram que a média de preço de 2 litros de leite no varejo estava em torno de NZ$ 3,18 (US$ 1,54), o que é 21 centavos (10 centavos de dólar) a mais do que no ano passado.
Swain disse que o Governo do país está "extraordinariamente relutante" em estabelecer um controle de preços, o que ele descreveu como um pensamento da década de 1970. Os governos não são de fato muito eficientes na regulamentação dos preços e ele questionou como eles poderiam impor este controle sem criar um efeito adverso na indústria.
O chefe do Instituto, David Russell, reclamou da competição sofrida pela criação da Fonterra. Swain, entretanto, reconheceu que há assuntos sobre competição devido à reestruturação da indústria de lácteos ocorrida no ano passado, com a criação de uma companhia dominante no setor, que ainda devem ser resolvidos. Mas, segundo ele, o governo apoiou a fusão da New Zealand Dairy Board, com as duas maiores companhias de lácteos do país, de forma que a expectativa é que esta companhia seja um competidor mais positivo no mercado internacional - e isso já está ocorrendo.
Fonte: www.stuff.co.nz, ANZ e Fencepost.com Ltd., adaptado por Equipe MilkPoint