Nestlé vende unidade de cacau

Publicado por: MilkPoint

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A multinacional suíça Nestlé vendeu sua unidade de processamento de cacau em Itabuna, na Bahia, para o grupo asiático Petra Foods. O valor da transação não foi revelado. A venda foi confirmada por executivos da própria Nestlé. Na semana passada, a empresa também anunciou a negociação da unidade ao prefeito de Itabuna, Geraldo Simões. A nova companhia assume a unidade no dia 1º de outubro.

A venda faz parte da estratégia da Nestlé em se desfazer de ativos para conseguir a aprovação da compra da Chocolates Garoto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), segundo apurou a reportagem.

Mas a empresa nega. "A Nestlé cumpre com o objetivo de transferir atividades que não fazem parte de seu core business para parceiros estratégicos capazes de continuar agregando valor em suas operações", disse em nota oficial. A multinacional vendeu também uma unidade no México para o mesmo grupo. O Cade não foi comunicado oficialmente pela venda da unidade da Nestlé, o que o impede de fazer qualquer comentário sobre o assunto.

Anunciada em fevereiro do ano passado, a aquisição da Garoto por R$ 565,8 milhões ainda não recebeu o aval do órgão antitruste e não tem data para ser julgada. Mesmo com a venda, não se sabe se a decisão será suficiente para que o Cade aprove a aquisição. A Nestlé quer preservar sua fatia dominante sobre o mercado brasileiro de chocolate, posição adquirida com a compra da Garoto. Sua maior rival é a Kraft Foods, dona da marca Lacta, segunda do ranking.

A unidade de processamento de cacau integra os ativos da Companhia Produtora de Alimentos (Coprodal), controlada pela multinacional suíça, que também produz leite em pó. Apenas a unidade que produz manteiga de cacau, licor de cacau, cacau em pó e achocolatado foi vendida ao grupo asiático. A operação de leite em pó continua sob controle da Nestlé. Apesar da venda, a unidade continuará fornecendo derivados de cacau para a própria Nestlé. As matérias-primas são usadas para a fabricação de chocolates, biscoitos e sorvetes.

O parecer da Secretaria de Direito Econômico (SDE) concluiu que a aquisição da Garoto dá a Nestlé o monopólio no mercado de cobertura de chocolate líquido (100% do mercado), alta concentração no segmento de cobertura de chocolate sólido (88,5%) e posição relevante em outros segmentos.

A Nestlé tornou-se hegemônica nos segmentos de chocolates em tabletes, consumo imediato e caixas de bombons. Segundo dados da SDE, a Nestlé ficará, ao consolidar a Garoto, com 63,1% do mercado de chocolates de consumo imediato, 75,9% dos de tabletes grandes e 66% no de caixas de bombons.

A aprovação no Cade é considerada fundamental para a Nestlé deter o domínio sobre o mercado de chocolates, cuja entrada de outros competidores é considerada difícil por especialistas no setor dadas as exigências de pesados investimentos em produção, marcas e logística.

A venda da unidade de cacau revela uma mudança na estratégia da Nestlé. Em março, o presidente da multinacional, Ivan Zurita, disse que não venderia nenhum ativo para aprovar a compra da Garoto. A aquisição integral teve pareceres contrários da SDE e da procuradoria do Cade que sugeriram a venda de ativos.

A Nestlé chegou a Itabuna em 1980, incentivada por recursos do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor). A Coprodal emprega cerca de 250 trabalhadores. Em 2002, a receita líquida da empresa foi de R$ 326 milhões, um crescimento 57% sobre o ano anterior, segundo o anuário "Valor 1000". O lucro líquido foi de R$ 63,9 milhões, alta de 63,9% sobre 2001.

Fonte: Valor On Line (por André Vieira), adaptado por Equipe MilkPoint
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