Vem de Bolo: conheça a startup de marketplace de bolos da Nestlé

Para uma empresa centenária de produtos de confeitaria, abraçar a transformação digital pode significar a criação de uma startup interna com a missão de conectar doceiras informais e o consumidor final. Foi assim com a Nestlé.

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - 5 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Para uma empresa centenária de produtos de confeitaria, abraçar a transformação digital pode significar a criação de uma startup interna com a missão de conectar doceiras informais e o consumidor final. Foi assim com a Nestlé.

Vem de Bolo, primeira startup gerada dentro da companhia, se anuncia também como o primeiro marketplace de bolos do Brasil. Na plataforma, o cliente encontra mais de 400 itens, entre bolos simples ou recheados, tortas e doces veganos, e guloseimas como cookies e pão de mel. 

Além de vender pela plataforma, as boleiras cadastradas têm descontos na compra de insumos da Nestlé e outros benefícios. Em um ano e meio de operação, a Vem de Bolo registra aproximadamente 6.200 clientes atendidos na capital paulista — e a demanda vem decolando durante a pandemia da Covid-19.

A ideia nasceu em 2017, no hub de inovação da Nestlé. Para sair do papel, contou com a parceria do Play Studio, consultoria de Inovação e Venture Builder, e um investimento interno de 4,5 milhões de reais.

Antes de colocar a mão na massa, é preciso mapear o mercado

Para validar a proposta, foi montado um site em que boleiras e consumidores preenchiam uma pesquisa. O objetivo: mapear o público-alvo. 

Head da área de Transformação Digital da Nestlé e responsável pelo modelo de negócio da Vem de Bolo, Carolina Sevciuc conta:

“Criamos a plataforma depois de observar este mercado por mais de um ano, buscando entender quem são as doceiras, quais são as dores do negócio, do que precisam de suporte e como a tecnologia pode ajudá-las”.

Algumas constatações ficaram claras. Encontrar novos clientes era uma dor de cabeça para as confeiteiras informais; geralmente as indicações vinham do boca à boca. 

Outro tópico problemático: gestão financeira. A maioria delas aceita(va) apenas dinheiro em espécie. E, por falta de planejamento, compravam os ingredientes em grande quantidade (para reduzir o custo), mas num volume nem sempre compatível com a demanda.

Continua depois da publicidade

Do lado do consumidor, havia queixas sobre a dificuldade de se conseguir um doce para pronta-entrega e mesmo de identificar uma boa doceira sem depender da dica de amigos.

Para evoluir na gestão, a startup adotou planejamentos por sprints

O site foi desenvolvido no fim de 2018; em janeiro de 2019, o negócio começou a rodar. Nos primeiros seis meses, o método de gestão não trazia visibilidade sobre pontos de melhorias. 

A virada-de-chave se deu quando a Vem de Bolo adotou uma pegada Test&Learn, sob as premissas da metodologia ágil. “Este método de gestão trouxe uma evolução significativa nos resultados. Hoje, todo o planejamento é feito através de sprints de 21 dias, buscando entender o que está funcionando e o que não está”. 

O time tem nove pessoas, incluindo Carolina e mais três colaboradores da Nestlé dedicados à startup: Bruno Oliveira, head de Inovação e Novos Modelos de Negócios da companhia; Renate Giometti, gerente de Inovação e Novos Modelos de Negócios; e Renan Gothard, especialista de marketing digital.

CEO da Vem de Bolo, Gabriel Saud responde pela gestão da equipe direta, de quatro colaboradores: um gerente produtos, um especialista em marketing digital, um gerente de operações e um estagiário. 

Outro aprendizado foi a internalização recente da parte de desenvolvimento. “Com o serviço terceirizado, identificamos [pontos de] melhorias de jornada do usuário, mas que não eram ajustadas no tempo adequado.”

Como o negócio impacta as boleiras, os clientes e a própria Nestlé

Mais do que aumentar a cartela de clientes, a Vem de Bolo permite às confeiteiras se divulgar, conseguir a antecipação dos recebíveis e obter ingredientes da companhia com descontos de até 10% em sua loja física e virtual.

Elas também podem acompanhar as vendas por meio de um dashboard gerencial, obter parceiros logísticos e participar de workshops técnicos (como, por exemplo, aprender a tirar fotos de seus produtos para divulgação).

O consumidor, por sua vez, seria beneficiado como uma opção de compra 100% online, incluindo o acesso às avaliações de outros clientes (vide as recomendações do Airbnb ou do Uber), além de dicas, promoções e a garantia da intermediação feita pela plataforma.

“A Vem de Bolo fomenta o locavorismo, ou seja, a prática de consumo de produtos próximos ao consumidor, fortalecendo a rede de pequenos empreendedores locais”.

Pela perspectiva da Nestlé, diz Carolina, o marketplace traz a vantagem de aproximar a companhia das duas pontas, confeiteiros e consumidores, o que permite gerar insights relevantes sobre o mercado.

Hoje há 60 boleiras na plataforma e mais de 500 na lista de espera

A menção, no feminino, às usuárias da Vem de Bolo não é à toa. Segundo Carolina, as mulheres — boleiras e doceiras — são 99% dos perfis cadastrados na plataforma.

Elas usam a ferramenta da Nestlé para comunicação, efetivação da venda, operacionalização do pagamento e entrega. Em contrapartida, pagam 12% sobre cada venda; o valor cobre os custos do marketplace, como as despesas com gateway de pagamento.

Em janeiro de 2019, eram 15 boleiras cadastradas. Hoje, são 60 — e há 520 na lista de espera. 

“A confeiteira interessada preenche um formulário. Depois, visitamos o local onde os bolos e doces são produzidos, provamos os produtos para verificar a qualidade e conferimos o armazenamento de insumos”.

A precificação fica por conta de cada profissional (o consumidor paga um frete fixo de 9,90 reais). Carolina diz que é difícil cravar o lucro mensal das boleiras com a plataforma: 

“Depende de vários fatores, como o volume de pedidos fechados em datas especiais e do número de pessoas que trabalha no negócio da confeiteira, o que impacta na produção. Há doceiras que faturaram 5 mil reais. Teve uma boleira que já tirou 60 mil reais.”

A pandemia da covid-19 fez a demanda decolar na plataforma

Quando estourou a pandemia da Covid-19, a startup e as boleiras e doceiras viram a demanda decolar. De fevereiro para março deste ano, o número de pedidos na plataforma cresceu 500%; de março para abril, mais quase 200%. “O mês de abril foi ainda mais forte. Fizemos um volume de vendas 800% maior do que a média mensal de 2019”.

Entre os fatores que impulsionaram o crescimento, Carolina cita a ampliação de oferta, o aumento da demanda de delivery em função do isolamento social e as datas comemorativas dos últimos meses (Páscoa e Dia das Mães).

Num momento em o coronavírus inviabiliza festas convencionais, uma nova opção na plataforma para alavancar as vendas são os kits de aniversário digitais, com direito a bolo, docinhos para o aniversariante e um convidado virtual. Assim, ninguém deixa de soprar as velinhas e comemorar — mesmo que à distância.

As informações são do Projeto Draft.

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 1

Publicado por:

Foto MilkPoint

MilkPoint

O MilkPoint é maior portal sobre mercado lácteo do Brasil. Especialista em informações do agronegócio, cadeia leiteira, indústria de laticínios e outros.

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Qual a sua dúvida hoje?