Segundo reportagem de Alexandre Teixeira, publicada hoje no Valor Online, a matriz suíça da Nestlé confirmou ontem o fechamento de um acordo para a compra da fabricante americana de rações para animais domésticos Ralston- Purina, por US$ 10,3 bilhões. O presidente-executivo da Ralston- Purina, Patrick McGinnis, vai comandar a nova empresa, batizada de Nestlé-Ralston Pet Care.
Desde que comprou o grupo britânico de confeitaria Rowntree, em 1988, por US$ 4 bilhões, a Nestlé vinha evitando grandes aquisições. O acordo fechado ontem marca o início do aguardado avanço da multinacional suíça sobre o mercado americano.
Com a compra da Purina, a Nestlé reforça substancialmente sua posição no mercado global de rações, que movimenta US$ 33 bilhões por ano. Vice-líder mundial do setor, a empresa suíça assume o primeiro lugar no mercado americano e aproxima-se da líder global Mars, baseada nos Estados Unidos.
No Brasil, com a compra da Purina, a Nestlé ultrapassa a concorrente nacional Total Alimentos (antiga Sul Mineira) e assume a vice-liderança do setor de rações para animais de estimação, com aproximadamente 25% do mercado. Resta à sua frente a americana Effen, que chegou a dominar mais de 30% do mercado, mas vem perdendo participação nos últimos anos.
De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação (Anfal-Pet), as empresas do setor produziram juntas 1 milhão de toneladas de ração no ano 2000, com faturamento da ordem de US$ 500 milhões.
O setor vem sustentando taxas de crescimento anuais de 10% a 15% desde a estabilização da economia, em meados de 1994. Naquele ano, a produção era de apenas 22 mil toneladas, e o faturamento, de US$ 142,6 milhões. Nove empresas dominavam a categoria. Hoje, são 28.
Apesar do crescimento nos últimos anos, o potencial do mercado ainda é grande. Uma estimativa da Anfal indica que existem 25 milhões de cães e 11 milhões de gatos no Brasil - o que significa um potencial de consumo em torno de 3 milhões de toneladas. No entanto, só 34% dos animais consomem alimento industrializado. A meta da associação é atingir 50% dos 36 milhões de animais até o ano que vem. Nos países desenvolvidos, os alimentos industrializados cobrem 60% do mercado potencial.
A Nestlé, que desde 1985 atua internacionalmente no segmento de alimentos para cães e gatos com a marca Friskies, entrou no mercado brasileiro em 1997. Inicialmente, todos os produtos foram importados dos Estados Unidos. Numa segunda etapa, os alimentos secos passaram a ser produzidos na fábrica de Camaquã, no Rio Grande do Sul.
Em outubro de 1999, a Nestlé fechou uma parceria com o Frigorífico Bertin, de Lins (SP), para produzir localmente alimentos úmidos para cães e gatos. Com a associação, a companhia atingiu 10% de participação de mercado.
Desde então, ela adotou publicamente a meta de liderar o mercado de alimentos para animais de estimação. Seu objetivo para 2002 era alcançar a segunda posição do mercado. Com a compra da Purina, a meta está garantida.
A Nestlé Brasil informa que não se pronunciará sobre a compra da Purina até ser oficialmente informada pela matriz do fechamento do negócio.
Por Alexandre Teixeira, para Valor Online, 17/01/01
Nestlé confirma a compra da Purina
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