Nestlé assume controle da Dreyer's

Publicado por: MilkPoint

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A presença de executivos da Nestlé deve representar a metade da diretoria da companhia, com sede em Oakland, na Califórnia. O diretor executivo da Nestlé, Peter Brabeck, deve assumir o cargo de vice chairman da Dreyer's Grand Ice Cream. "Estamos estendendo nosso know-how para o mercado internacional", comenta. Com o negócio, de US$ 2,4 bilhões, a Nestlé dividirá com a Unilever o primeiro lugar do mundo em faturamento com a venda de sorvetes.

A Nestlé já detinha 23% de participação na Dreyer's. A nova empresa, da qual a Nestlé possuirá 67% do capital, será dona das marcas Dreamery, Starbucks, Godiva, Drumstick, Nestlé e Butterfinger.

A briga da Nestlé, maior fabricante de alimentos do mundo, com vendas anuais de quase US$ 50 bilhões, é árdua no mercado de sorvetes. Ela possui 17% do mercado mundial do segmento, mesmo patamar alcançado pela rival Unilever. O mercado mundial de sorvetes é estimado em US$ 25 bilhões.

O negócio amplia a presença da Nestlé no mercado norte-americano de sorvetes. No ano passado, a empresa assumiu o controle da Haagen-Dazs nos EUA e comprou a Schoeller.

A fusão da divisão de sorvetes da Nestlé com a Dreyer's não vai mudar as operações da Haagen Dazs no Brasil. O sorvete da marca vendido no País é fabricado pela General Mills, que tem sede em Minneapolis (EUA).

Em dezembro do ano passado, a Nestlé adquiriu da Pillsburry Ice Cream os direitos da marca e fabricação do sorvete em todo o território norte-americano por US$ 641 milhões. A Pillsburry, por sua vez, era sócia da Nestlé na Ice Cream Partners desde 1999. A Pillsburry acabou sendo vendida à General Mills, que hoje fabrica o Haagen Dazs em mais de 50 países. A operação no Brasil inclui também a venda do produto em sorveterias próprias.

Mercado nacional

Gigantes multinacionais disputam o mercado brasileiro de sorvetes industrializados, que registrou faturamento de R$ 814,4 milhões em 2001, segundo o instituto ACNielsen. Kibon, pertencente à Unilever, e Nestlé, líderes do segmento no País, guardam a sete chaves seus volumes de vendas e faturamento. Mas estimativas do mercado mostram que a veterana Kibon, que está no País desde 1941, detém cerca de 55% do mercado. Já a Nestlé, que até meados da década de 90 operava com a tradicional marca Yopa, possui 22%.

De acordo com o diretor de comunicação do Sindicato da Indústria de Gelados, Congelados, Sorvetes e Liofilizados de São Paulo (Sincogel), Reinaldo Malandrim, "a vantagem da Kibon é a sua logística, que acaba otimizando as ações de marketing", diz.

Nestlé e Kibon operam nos segmentos de consumo domiciliar, a granel e venda por impulso, que inclui os picolés. O mercado pulverizado também possui marcas regionais fortes. É o caso da La Basque, em Campinas (SP) e Luigi, no Espírito Santo.

Segundo a Sincogel, o desempenho dessas empresas varia de acordo seu canal de distribuição. "Algumas são mais fortes em supermercados, outras em carrinhos de rua e lojas especializadas", diz Malandrim.

Consumo ainda é pequeno

Por ser considerado um produto "supérfluo" e por conta do baixo poder aquisitivo da população, o consumo em 2002 deverá alcançar os mesmos patamares do ano passado, de 520 milhões de litros. O consumo per capita no País é de 3,1 litros por ano. Nos Estados Unidos, o maior mercado do mundo de sorvetes, o consumo per capita chega a 25 litros por ano.

O setor também enfrenta uma forte sazonalidade. O consumo aumenta entre novembro e fevereiro, quando as vendas são impulsionadas pelo forte calor e pelas férias escolares no Brasil, e são mais fracas no resto do ano. Em países da Europa e nos Estados Unidos, o consumo de sorvete é estável mesmo no inverno, apesar das baixas temperaturas em quase todo os países.

"Existe um mercado informal muito grande que, se fosse computado, os números do setor seriam duplicados", conta o porta-voz do setor. Segundo ele, a indigesta carga tributária, que abocanha até 50% do faturamento das empresas do setor, empurrou as empresas para a fabricação de produtos para fora do mercado, contando apenas com canais de distribuição alternativos, como carrinhos de rua e estabelecimentos comerciais de pequeno porte.

Fonte: Gazeta Mercantil (por João Mathias e Patricia Nakamura) e Folha de S.Paulo, adaptado por Equipe MilkPoint
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