MS: Chegada de indústrias eleva preço do leite ao produtor

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O produtor já está sentindo os impactos positivos da chegada das duas primeiras indústrias do leite UHT em Mato Grosso do Sul, a Avipal, da marca Elegê, em Nova Andradina, e a Saga, em São Gabriel do Oeste.

A assessora econômica da Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul), Adriana Mascarenhas, explica que hoje a média de preços no Estado é de R$ 0,42, em função do início do período de entressafra, mas as empresas já estão pagando R$ 0,45 ao produtor, oferecendo resfriadores e suporte tecnológico. "Isso já está incomodando algumas outras indústrias. Entendemos que a pecuária de leite terá um grande salto com as duas empresas", afirma Adriana. Em algumas regiões de Mato Grosso do Sul os produtores ainda recebem R$ 0,28, mas também há o diferencial de qualidade, ressalta Adriana.

A preocupação agora, afirma a assessora, é que os produtores estabeleçam um meio de assegurar um preço mínimo, através de contrato.

Sem os custos de frete e 7% de ICMS (Imposto Sobre Circulação de Serviços e Mercadorias) de diferencial de alíquota, a perspectiva é que o consumidor do Estado também seja contemplado com preços menores, conforme assegurou hoje a própria diretoria da Avipal.

Fonte: Campo Grande News (por Fernanda Mathias), adaptado por Equipe MilkPoint
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José Angelo Marchini
JOSÉ ANGELO MARCHINI

ITAPORÃ - MATO GROSSO DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/06/2003

A Adriana não está bem informada quanto à subida de preço com as entradas destas empresas, visto que elas não estão pagando o melhor preço de mercado, pois já havia promessa de preço bem antes delas entrarem no mercado. Fomentar que é bom, até agora, é só conversa fiada. Elas estão pegando o leite que os laticinios já tinham trabalhado para melhorar a qualidade, e nem com isso estão pagando mais que os laticínios da região.

Os que vêm de fora são sempre os salvadores da pátria, pois caso eles não fomentem a produção, não farão nada diferente dos laticinios que já não estão fazendo, com um agravante: vão deixar de arrecadar impostos pois vem com incentivo fiscal. Não vão favorecer a geração de empregos.

Por isso, penso que antes de comentar os preços, é necessário ir ao campo e ver como está realmente se comportando o mercado de leite, pois colocar preço na entre safra é fácil; vamos ver no verão.

<b>Resposta</b>:

O que tenho a comentar sobre essa carta é o seguinte: em primeiro lugar, nunca disse que a subida nos preços do leite está relacionada a entradas das duas grandes indústrias no estado, mesmo porque 80% da nossa produção já é exportada para outros estados, sendo o 1º maior importador o estado do Paraná, matriz de uma das indústrias, e o 2º maior importador o estado de São Paulo. Inclusive uma das principais preocupações que temos, enquanto Técnicos da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul, é a formalização de contrato entre indústrias e produtores, para garantir um equilíbrio nos preços no decorrer do ano, pois sabemos que em outros estados onde as grandes indústrias entraram, tiveram o mesmo comportamento. No momento em que precisavam da matéria-prima, ofereciam preços maiores que as demais indústrias já existentes, no momento em que já dominavam o mercado, normalmente achatavam os preços, pois tinham a maioria dos produtores nas mãos. O que eu disse quanto a altas nos preços do leite é o seguinte: é normal no período de entre-safra o aumento de preço do leite. O momento em que estamos atravessando está muito oportuno para a atividade, pois a crise vivenciada pelos produtores de leite no ano de 2001 foi tão séria que muitos desistiram da atividade. Hoje a oferta é menor, por isso também que os preços vêm se mantendo equilibrado. Mas digo sempre que se o produtor receber um preço justo que o permita entrar com suplementação alimentar, a produtividade poderá aumentar e um curto espaço de tempo, mas tudo tem seu preço.
Qual a sua dúvida hoje?