O ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Martín Aguirrezabala, confirmou que o Poder Executivo pensa que a exportação de leite fluido para a Argentina "tem sido benéfica para a cadeia leiteira em geral".
Apesar de ter admitido que estas exportações estão impondo uma competição "um tanto agressiva à indústria, pela situação particular que vive a Argentina", onde existe uma importante falta de leite, Aguirrezabala considerou que a exportação de leite fluido permitiu que crescessem substancialmente os valores do leite ao produtor "que é a base da própria cadeia.
Aguirrezabala entendeu que há uma certa distorção entre os produtores que contribuem com o Fundo de Financiamento da Atividade Leiteira (FFAL) e os que exportam o leite cru e cobram este fundo. Neste sentido, ele considerou que a suspensão da devolução de impostos tem sido um fator que resolve circunstancialmente a situação e que, portanto, hoje não há distorções, nem para um lado nem para o outro. "O que está acontecendo com os preços é aquilo que o mercado pode pagar e creio que isso será benéfico para toda a cadeia, porque melhorará a eficiência da indústria e porque, além disso, será uma ferramenta fundamental que é uma maior quantidade de matéria-prima à indústria", disse o secretário o ministro na semana passada no Edifício Liberdade, após ter fechado acordos com o presidente Jorge Batlle.
Conaprole diz que não quer estocar leite
O presidente da Cooperativa Nacional dos Produtores de Leite do Uruguai (Conaprole), Jorge Panizza, insistiu que no Uruguai "não se justifica de forma nenhuma fazer estoques, mas sim, vender tudo o que se produz", e prognosticou um possível aumento da demanda mundial de lácteos.
"Atualmente os mercados estão estabilizados", disse ele, admitindo que isso é bom, porque quando os preços estão em baixa ninguém quer comprar nada, esperando que os valores caiam mais e, quando estão em alta, ninguém quer vender nada, esperando que estes subam.
Assim como estava previsto, a produção de leite no Uruguai cresceu em julho e agosto e a indústria está precisando "vender estes volumes". Panizza insistiu que a política da Conaprole é vender. "Estamos em uma posição muito boa para fazer isso e sair rapidamente do estoque dos produtos, como leite em pó".
Para ele, todos os mercados onde é possível colocar o produto são importantes para a empresa, que aproveita a associação com a firma Glanbia - com quem criou conjuntamente a empresa Conabia - para buscar nichos de mercados em México, Angola e outros países africanos. "Em Angola temos um volume reservado e estamos exportando, mas são mercados onde, por intermédio desta associação que temos com a empresa irlandesa, podemos estar presentes. É muito difícil para nós podermos manejar este tipo de mercado, porque os volumes que temos, para o Uruguai, são importantíssimos, mas para o mundo são muito pequenos".
Fonte: El País
Ministro da Agricultura do Uruguai diz que exportações de leite para Argentina são benéficas ao setor
Publicado por: MilkPoint
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